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Dona Hilda Cabas: uma vida dedicada à elegância, ao cerimonial e à história do Espírito Santo

Mulher de presença marcante, delicadeza e competência, Hilda Cabas deixa um legado que ultrapassa o cerimonial e permanece na memória de quem teve o privilégio de conhecê-la

Recebi com muita tristeza a notícia do falecimento de Dona Hilda Cabas, uma pessoa por quem sempre tive o maior carinho e admiração por sua postura. Sua partida deixa uma lacuna entre aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com sua elegância, generosidade e, sobretudo, com a sua maneira tão particular de acolher as pessoas.

Dona Hilda fez parte da história do Espírito Santo. Por décadas, esteve à frente do Cerimonial do Palácio Anchieta, onde ajudou a construir e preservar uma tradição de cuidado, respeito e excelência na realização de solenidades e grandes acontecimentos que marcaram a vida pública capixaba.

 

Revista Impressa

Sua trajetória também ficou registrada nas páginas da Revista Ekletica, onde foi homenageada na  primeira ediçõe da publicação, na coluna “Na Ilha” assinada na época  pela cerimonialista Stella Miranda.

Naquela ocasião, Stella escreveu sobre a alegria de compartilhar com os leitores histórias de pessoas que contribuíram para enriquecer a vida e a cultura capixaba. E escolheu justamente Dona Hilda para uma de suas primeiras homenagens.

“Você vá achar que estou puxando ‘a sardinha para meu lado’, mas não estou!”, escreveu Stella, ao recordar a convivência profissional com Hilda.

A cerimonialista contou que teve o privilégio de trabalhar e aprender muito com ela, descrevendo-a como uma mulher “deslumbrada, deselegante e sem postura” — não pelas palavras em si, mas justamente pelo contrário: Stella fazia uma brincadeira carinhosa ao afirmar que Hilda era um verdadeiro exemplo de elegância.

E havia uma história que traduzia bem a personalidade de Dona Hilda.

Stella contou que certa vez perguntou a ela: “Dona Hilda, a senhora alguma vez já deu uns chinelos?”

Com seu jeito carinhoso, Hilda respondeu:

“Não exatamente chinelos, mas uns calçados confortáveis em casa.”

A lembrança, registrada há tantos anos nas páginas da revista, hoje ganha outro significado. É como se aquela fotografia e aquelas palavras tivessem se transformado em uma pequena cápsula do tempo, guardando para sempre a imagem de uma mulher querida, sofisticada e, ao mesmo tempo, próxima e humana.

Há pessoas que passam pela vida deixando lembranças. Outras deixam histórias. Dona Hilda Cabas deixou um legado.

Seu nome está associado a uma época em que o cerimonial era exercido com profundo respeito às tradições, aos convidados, aos detalhes e, principalmente, às pessoas. Sua experiência e seu modo de trabalhar ajudaram a formar profissionais e a estabelecer referências para o cerimonial capixaba.

Hoje, ao olhar novamente para aquela página da Revista Ekletica, sinto que ela ganhou um significado ainda mais especial.

A fotografia de Dona Hilda, sorrindo, vestida de vermelho e com aquele olhar de quem carregava histórias, permanece ali. E permanecerá também na memória daqueles que a conheceram.

Dona Hilda Cabas parte, mas sua história fica.

Fica no Palácio Anchieta, nos grandes eventos que ajudou a realizar, nos profissionais que aprenderam com ela, nas amizades que construiu e, também, nas páginas da Revista Ekletica, que teve a honra de registrar um pouco de sua trajetória.

Neste momento de despedida, fica o nosso carinho e a nossa gratidão.

Que Dona Hilda descanse em paz e que sua elegância, sua generosidade e sua história continuem inspirando as novas gerações.

À família e aos amigos, nossa solidariedade e nosso abraço fraterno.

Dona Hilda Cabas, muito obrigada por tudo. Sua história não será esquecida.

Luciene Costa –  Revista Ekletica

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