Candidatos ao Governo do Estado discutiram segurança pública, Banestes, feminicídio, saúde, educação, contas públicas e desenvolvimento econômico em transmissão ao vivo
Os candidatos ao Governo do Espírito Santo Ricardo Ferraço (MDB), Helder Salomão (PT) e Lorenzo Pazolini (Republicanos) participaram de um debate promovido pela TV Vitória/Rede Vitória, com transmissão ao vivo pela emissora, pelo jornal online Folha Vitória e pelo YouTube.
O encontro foi mediado pela jornalista Juliana Avanza , e contou também com a participação dos jornalistas e colunistas Patrícia Scalzer, Fábio Toster e Edu Kopernick, responsáveis pelas perguntas do segundo bloco.
A programação foi dividida em três blocos. O primeiro e o terceiro foram destinados a confrontos diretos entre os candidatos, com temas livres. Já o segundo bloco foi reservado às perguntas dos jornalistas.
A organização estabeleceu regras de tempo para perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. Também foi previsto direito de resposta para situações em que algum candidato considerasse ter sido alvo de difamação ou injúria. Os eventuais pedidos seriam analisados por uma comissão formada por representantes do jornalismo, do departamento jurídico da Rede Vitória e da Transparência Capixaba.
Segurança pública abre o confronto
Um dos primeiros temas discutidos foi a segurança pública, a partir de uma pergunta de Ricardo Ferraço a Helder Salomão sobre a redução da maioridade penal.
Salomão defendeu uma abordagem que combine punição com políticas de prevenção, educação, emprego, renda e oportunidades para a juventude. Segundo o candidato, o sistema penitenciário não deve ser tratado como única resposta para a criminalidade.
Ferraço apresentou posição diferente e defendeu a redução da maioridade penal, argumentando que adolescentes envolvidos em crimes violentos precisam responder de forma mais rigorosa pelos atos praticados. O candidato também defendeu mudanças no Código de Processo Penal.
Na sequência, Salomão voltou a defender investimentos em educação e políticas públicas nos territórios mais vulneráveis como parte da estratégia de enfrentamento à violência.
Banestes entra no debate
Outro tema que provocou confronto entre os candidatos foi o futuro do Banestes.
Helder Salomão questionou Lorenzo Pazolini sobre a decisão de não assinar um termo de compromisso relacionado à manutenção do banco como instituição pública.
Pazolini afirmou que considera o Banestes um patrimônio dos capixabas, mas explicou que não assinou o documento porque, em sua avaliação, o texto deveria contemplar questões relacionadas à transparência, controle social e critérios para nomeação da diretoria.
Ferraço, por sua vez, defendeu a manutenção do Banestes público e destacou o papel da instituição no financiamento de agricultores, micro e pequenas empresas e no desenvolvimento econômico do Estado.
O debate também trouxe a discussão sobre a venda da folha de pagamento da Prefeitura de Vitória durante a gestão de Pazolini. O candidato justificou que os recursos foram utilizados para investimentos, incluindo a construção de escolas em tempo integral.
Feminicídio e políticas para as mulheres
A violência contra a mulher também ocupou espaço importante no debate.
Lorenzo Pazolini questionou Ricardo Ferraço sobre os índices de feminicídio no Espírito Santo e criticou a atuação da atual gestão estadual.
Ferraço respondeu apresentando números que, segundo ele, apontam redução do feminicídio no Estado e citou políticas de enfrentamento à violência contra mulheres.
Pazolini contrapôs os dados destacando a necessidade de ampliar efetivos das forças de segurança e fortalecer as estruturas de atendimento e investigação.
O tema ganhou ainda mais relevância diante da discussão sobre políticas de prevenção, proteção às vítimas e atuação integrada entre segurança pública e serviços sociais.
Jornalistas questionam candidatos no segundo bloco
No segundo bloco, a dinâmica mudou. Os candidatos passaram a responder perguntas formuladas pelos jornalistas e colunistas da TV Vitória.
Fábiana Tostes questionou Lorenzo Pazolini sobre os indicadores de crimes contra o patrimônio em Vitória, incluindo furtos e roubos de celulares, pessoas e bicicletas.
Pazolini apresentou ações realizadas durante sua gestão na capital, citando integração das forças de segurança, investimentos em tecnologia, valorização da Guarda Municipal e atuação conjunta com órgãos estaduais.
Ricardo Ferraço comentou a resposta e destacou que a segurança pública é uma atribuição compartilhada entre diferentes estruturas, como Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica.
Contas públicas e responsabilidade fiscal
O jornalista Edu Copernick levou ao debate a situação fiscal do Espírito Santo e questionou Helder Salomão sobre a capacidade de um eventual governo do PT manter o equilíbrio das contas públicas do Estado.
Salomão citou sua experiência como prefeito de Cariacica e afirmou que deixou as contas municipais equilibradas após oito anos de gestão. Também apresentou propostas nas áreas social, econômica, agricultura familiar, empreendedorismo e políticas para a juventude.
No comentário, Pazolini afirmou que o equilíbrio fiscal é uma obrigação da administração pública e defendeu que o Estado avance em áreas como educação, segurança alimentar, saúde e assistência social.
Saúde entra no centro das discussões
A jornalista Patrícia Scalzer questionou Ricardo Ferraço sobre o cronograma de obras do Hospital Geral de Cariacica e outras estruturas de saúde anunciadas para o Espírito Santo.
Ferraço afirmou que o Hospital Geral de Cariacica e Maternidade está em fase avançada e citou também o complexo de saúde de São Mateus, o Hospital do Câncer em Cachoeiro de Itapemirim e investimentos em unidades básicas de saúde.
Helder Salomão, ao comentar, destacou recursos que afirma ter ajudado a articular para o Hospital Geral de Cariacica e lembrou sua experiência como prefeito do município, quando, segundo ele, foi implantada a maternidade municipal.
Educação também gera divergências
No terceiro bloco, Ricardo Ferraço questionou Lorenzo Pazolini sobre os indicadores da educação de Vitória.
Pazolini citou investimentos realizados durante sua administração, incluindo expansão das escolas de tempo integral, valorização dos servidores e melhorias na infraestrutura escolar.
Ferraço apresentou números diferentes sobre o desempenho da educação capixaba e afirmou que o Espírito Santo ampliou o número de escolas de tempo integral durante a atual gestão.
O confronto também envolveu diferentes interpretações sobre rankings educacionais e resultados apresentados por órgãos e instituições de avaliação.
Desenvolvimento econômico e caso Banco Master
Helder Salomão questionou Ferraço sobre o impacto do caso envolvendo o Banco Master na economia capixaba.
Ferraço afirmou que o caso não envolve recursos públicos estaduais e defendeu a apuração pelos órgãos de controle.
Salomão também defendeu uma investigação rigorosa e aproveitou o momento para apresentar propostas relacionadas ao desenvolvimento econômico, reforma tributária, micro e pequenas empresas, petróleo, logística e portos.
A discussão avançou ainda para as relações entre o Governo do Estado e o Governo Federal e para a trajetória política dos três candidatos.
Considerações finais destacam trajetórias e projetos
Nas considerações finais, cada candidato teve um minuto e meio para falar diretamente aos eleitores.
Lorenzo Pazolini destacou sua experiência na Prefeitura de Vitória e defendeu a necessidade de avançar em áreas como saúde, segurança, educação e qualidade de vida.
Helder Salomão enfatizou sua trajetória política e experiência como professor e ex-prefeito de Cariacica, defendendo um governo voltado para participação social, inclusão e desenvolvimento regional.
Ricardo Ferraço ressaltou sua trajetória em diferentes funções públicas, incluindo secretário de Estado, vice-governador e sua atuação no governo estadual, defendendo a continuidade de políticas e investimentos realizados nos últimos anos.
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