Interação com os adultos durante as brincadeiras ajuda a fortalecer habilidades importantes para a comunicação infantil
No universo infantil, brincar é sinônimo de diversão, mas também representa uma importante oportunidade de aprendizado. Durante as atividades lúdicas, a criança desenvolve habilidades que estão diretamente relacionadas à comunicação, à linguagem e à convivência social.
No Mês das Crianças, a fonoaudióloga Tatiane Chagas chama a atenção dos pais para um aspecto que muitas vezes passa despercebido: mais importante do que o brinquedo escolhido é a qualidade da interação entre a criança e o adulto.
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Segundo a especialista, o desenvolvimento da fala não acontece de forma isolada. Antes de pronunciar palavras e construir frases, a criança precisa desenvolver uma série de habilidades que são estimuladas naturalmente nas brincadeiras compartilhadas.
Contato visual, atenção conjunta, imitação, troca de turnos e capacidade de esperar são alguns dos chamados pré-requisitos da comunicação. Atividades simples, realizadas no chão da sala ou em outros espaços da casa, podem contribuir para esse processo.
“Brincar é a principal linguagem da criança. Quando um adulto se abaixa na altura dos olhos dela, narra o que está acontecendo de forma simples e dá espaço para respostas, ele constrói circuitos neurais essenciais para a comunicação”, explica Tatiane.
Outro ponto destacado pela fonoaudióloga é o uso excessivo de telas de forma passiva, especialmente quando a criança permanece longos períodos assistindo a vídeos sem interação com outras pessoas.
A especialista ressalta que momentos de contato direto permitem uma comunicação muito mais rica. Ao brincar, conversar, esperar uma reação e responder aos sinais da criança, o adulto cria oportunidades para que ela compreenda e participe da troca comunicativa.
Isso não significa eliminar completamente os recursos tecnológicos, mas evitar que eles substituam experiências importantes de interação, especialmente nos primeiros anos de vida.
Para transformar os momentos de diversão em oportunidades de estímulo à comunicação, Tatiane Chagas recomenda atitudes simples que podem ser incorporadas à rotina familiar.
Siga a liderança da criança: observe aquilo que desperta o interesse dela e participe da atividade, sem tentar controlar o tempo todo a brincadeira.
Faça pausas: durante uma atividade divertida, como cócegas, cantigas ou brincadeiras de movimento, faça pequenas pausas e espere uma reação da criança — que pode ser um olhar, gesto, som ou palavra — antes de continuar.
Use palavras simples: frases curtas, expressivas e relacionadas ao que está acontecendo facilitam a compreensão. Repetir palavras importantes dentro do contexto também ajuda a criança a associar o som ao significado.
Valorize qualquer tentativa de comunicação: olhar, apontar, gesticular, emitir sons ou tentar falar são formas de comunicação e podem ser aproveitadas pelo adulto para ampliar a interação.
Para Tatiane, a participação dos pais e cuidadores é fundamental para criar um ambiente no qual a criança se sinta segura para experimentar novas formas de se comunicar.
“Criança que se sente ouvida e conectada pelo brincar encontra um terreno seguro para começar a se expressar”, reforça a fonoaudióloga.
Mais do que oferecer brinquedos sofisticados ou atividades elaboradas, o que faz diferença é estar presente, compartilhar a experiência e demonstrar interesse pelo universo da criança. No fim, uma brincadeira simples pode se transformar em uma importante oportunidade para conversar, aprender e fortalecer vínculos.