Saúde

Alimentação infantil exige atenção redobrada para prevenir obesidade

Com a proximidade do Dia das Crianças, especialistas reforçam a importância de criar hábitos alimentares saudáveis sem transformar a comida em motivo de restrição ou punição

O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, costuma ser acompanhado por doces, chocolates, lanches e outras guloseimas. Embora esses alimentos possam fazer parte de momentos especiais, a data também serve como oportunidade para lembrar que os hábitos construídos na infância têm influência importante na saúde ao longo da vida.

O alerta ganha força diante do avanço do excesso de peso entre crianças e adolescentes no Brasil. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), divulgados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), mostram que uma em cada três crianças brasileiras de 5 a 9 anos está acima do peso. Entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, a proporção com excesso de peso passou de 25% para 32% na última década.

Segundo o Ministério da Saúde, dados de 2020 apontavam que, entre as crianças acompanhadas pelo SUS, 31,7% das que tinham entre 5 e 9 anos apresentavam excesso de peso e 15,8% tinham obesidade. Entre adolescentes acompanhados, 31,8% estavam com excesso de peso e 11,9% apresentavam obesidade.

Para a nutricionista Milena Zambom, da Bluzz Saúde, a prevenção começa muito antes de uma criança apresentar excesso de peso. “A alimentação infantil precisa ser encarada como parte do cuidado com a saúde e não apenas como uma preocupação relacionada ao peso. É na infância que a criança começa a conhecer sabores, texturas e a construir preferências que podem acompanhá-la por muitos anos”, afirma.

Nesse processo, a participação da família é fundamental. De acordo com o Ministério da Saúde, a alimentação das crianças deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, cereais e carnes, reduzindo a oferta de bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados.

A recomendação não significa transformar a alimentação da criança em uma lista de proibições ou utilizar a comida como instrumento de punição. Para crianças maiores de dois anos, o mais importante é que alimentos nutritivos façam parte da rotina e que doces e outros alimentos de menor qualidade nutricional não ocupem espaço excessivo na alimentação habitual. Também é importante evitar que alimentos sejam utilizados como recompensa ou como forma de compensação emocional. Para menores de dois anos, o Ministério da Saúde recomenda não oferecer açúcar ou alimentos ultraprocessados.

“Não é necessário transformar a alimentação da criança em uma lista de proibições. O caminho é oferecer variedade, criar uma rotina e fazer com que os alimentos saudáveis estejam presentes no dia a dia. A criança aprende muito pelo exemplo, então os hábitos da família têm um peso enorme nesse processo”, explica Milena.

Outro ponto de atenção é o consumo de alimentos ultraprocessados, que podem concentrar grandes quantidades de açúcar, gordura, sódio e aditivos. Refrigerantes, bebidas adoçadas, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos e outros produtos desse grupo devem ter o consumo reduzido, especialmente quando passam a substituir refeições e alimentos mais nutritivos.

A rotina também conta. Fazer as refeições em horários organizados, evitar comer diante de telas e estimular atividades físicas são medidas que contribuem para uma relação mais saudável com a alimentação. O acompanhamento do crescimento, peso e altura pelo pediatra também permite identificar precocemente alterações que mereçam atenção.

“O objetivo não deve ser colocar a criança em uma dieta restritiva, mas construir um ambiente em que ela tenha acesso a alimentos variados e aprenda a reconhecer fome e saciedade. Prevenir a obesidade infantil é cuidar da saúde física e também da relação que essa criança terá com a comida ao longo da vida”, destaca a nutricionista.

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