Comportamento Saúde

Voluntariado também pode cuidar da saúde mental, aponta psicóloga

Atitude de ajudar o próximo pode fortalecer vínculos, ampliar o sentimento de propósito e contribuir para o bem-estar emocional, mas não substitui acompanhamento profissional

O voluntariado costuma ser associado ao impacto positivo provocado na vida de quem recebe ajuda, mas os benefícios também podem alcançar quem se dispõe a colaborar. No Dia do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, a psicóloga Marília Zanette, da Bluzz Saúde, chama a atenção para os efeitos que a participação em ações voluntárias pode ter sobre a saúde mental.

Segundo a especialista, dedicar tempo a uma causa pode despertar sentimentos de utilidade, pertencimento e propósito. Ao se envolver com outras pessoas, o voluntário também consegue ampliar o olhar para além das próprias preocupações e perceber que suas atitudes podem produzir mudanças concretas.

“Ajudar o outro pode gerar uma sensação de utilidade, pertencimento e propósito. Quando realizamos uma atividade voluntária, saímos um pouco do foco das nossas próprias preocupações e estabelecemos uma conexão com outras pessoas e com uma causa”, explica Marília.

A psicóloga destaca ainda que a percepção de contribuir para a vida de alguém pode fortalecer a autoestima e a satisfação pessoal. O contato com diferentes histórias também pode estimular sentimentos de gratidão e bem-estar.

Outro aspecto importante é a construção de vínculos. Em uma rotina marcada pelo uso intenso de telas e por relações cada vez mais mediadas pelo ambiente virtual, o voluntariado cria oportunidades de encontros presenciais, colaboração e troca de experiências.

“O voluntariado proporciona encontros reais, troca de experiências e construção de vínculos. É diferente de uma interação rápida nas redes sociais, porque envolve presença, escuta, colaboração e objetivos compartilhados”, afirma.

Para quem enfrenta momentos de isolamento ou solidão, a participação em uma atividade coletiva pode representar uma oportunidade de reconstruir relações e recuperar a sensação de pertencimento. A experiência também pode ajudar pessoas que estejam vivenciando desânimo ou falta de motivação, principalmente quando esses sentimentos estão associados à ausência de rotina, vínculos ou propósito.

“Uma atividade voluntária pode oferecer uma estrutura para o dia, novas relações e a oportunidade de perceber que aquilo que fazemos tem valor”, ressalta a psicóloga.

Apesar dos benefícios, Marília faz uma ressalva importante: voluntariado não deve ser confundido com tratamento de saúde mental. A atividade pode funcionar como um fator de proteção e fazer parte de uma rotina de cuidados, mas não substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário.

“Podemos pensar no voluntariado como uma atividade que pode contribuir para o bem-estar e complementar uma rotina de cuidados, e não como uma terapia”, pontua.

Limites também fazem parte do cuidado

Outro ponto de atenção é a necessidade de estabelecer limites. A vontade de ajudar não deve levar a pessoa a assumir responsabilidades que ultrapassem sua capacidade ou comprometer o próprio descanso e autocuidado.

“O voluntariado deve ser uma escolha e não uma obrigação. Quando a pessoa assume responsabilidades além do que consegue sustentar, não consegue dizer não ou passa a colocar sistematicamente as necessidades dos outros acima das próprias, a atividade pode gerar cansaço e sobrecarga”, alerta Marília.

Para quem deseja começar, a recomendação é escolher uma atividade compatível com a própria rotina e começar aos poucos. Não é necessário dedicar grandes quantidades de tempo para fazer a diferença.

“O primeiro passo é reconhecer que não precisamos fazer tudo para contribuir. É possível começar com poucas horas, escolher uma atividade compatível com a rotina e avaliar como a experiência está repercutindo emocionalmente”, orienta.

A especialista reforça que o equilíbrio é fundamental para que a experiência permaneça positiva. “Quando conseguimos ajudar sem abrir mão completamente do descanso, da família, do trabalho e do autocuidado, aumentamos as chances de que essa experiência seja positiva e sustentável.”

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