Cidade Cultura Economia

Setor produtivo apresenta agenda para o futuro do ES nas eleições de 2026

Manifesto reúne sete eixos considerados estratégicos para o desenvolvimento do Estado e inaugura série de debates com candidatos

O setor produtivo do Espírito Santo decidiu entrar de forma mais ativa no debate sobre as eleições de 2026. Em vez de concentrar a discussão apenas em nomes e alianças políticas, entidades que representam diferentes segmentos da economia capixaba lançaram um manifesto com propostas e prioridades consideradas essenciais para orientar o futuro do Estado.

Intitulado “O Futuro do Espírito Santo exige compromisso”, o documento é uma iniciativa do Fórum de Entidades e Federações (FEF) e dá início ao Movimento Ciclo Eleitoral 2026, que pretende aproximar empresários, especialistas, instituições, candidatos e sociedade civil das discussões sobre os rumos do Espírito Santo.

A proposta é levar para o período eleitoral uma agenda baseada em planejamento, continuidade de políticas públicas, responsabilidade institucional e desenvolvimento econômico aliado à melhoria da qualidade de vida da população.

O movimento é conduzido pelo Espírito Santo em Ação, em parceria com a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Sistema Fecomércio-ES – Sesc e Senac, Federação das Empresas de Transportes do Espírito Santo (Fetransportes) e Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes).

Juntas, as instituições representam setores responsáveis pela geração direta de mais de 730 mil empregos no Estado.

O manifesto estabelece sete grandes eixos que deverão nortear a participação das entidades no debate eleitoral. Entre eles estão o planejamento de longo prazo e a continuidade das políticas de Estado; educação e qualificação profissional; competitividade e infraestrutura; inovação e sustentabilidade; desenvolvimento regional e turismo; governança e transparência; segurança pública; além de saúde e qualidade de vida.

A intenção é evitar que temas considerados estruturantes para o Espírito Santo fiquem restritos ao período eleitoral. A agenda proposta pelas entidades busca colocar em discussão políticas que possam atravessar diferentes governos e produzir resultados no longo prazo.

O documento também recupera a transformação vivida pelo Espírito Santo nas últimas décadas, especialmente após um período de forte crise institucional. Para as entidades, a experiência demonstra que planejamento, equilíbrio fiscal, diálogo entre instituições e continuidade administrativa podem produzir resultados duradouros.

A preocupação agora é garantir que essas conquistas sejam preservadas e ampliadas pelas próximas administrações.

Além do manifesto, o Movimento Ciclo Eleitoral 2026 terá uma programação de atividades ao longo dos próximos meses. A agenda prevê sabatinas com candidatos, entrevistas, podcasts, participação de especialistas, artigos de opinião e conteúdos informativos.

A iniciativa pretende ampliar o espaço para que os candidatos apresentem propostas e sejam questionados sobre temas considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico e social do Espírito Santo.

Para o diretor-presidente do Espírito Santo em Ação, Fernando Saliba, o processo eleitoral deve ser também uma oportunidade para discutir o legado que será deixado para as próximas gerações.

“O Espírito Santo chegou até aqui porque soube construir consensos em torno de políticas de Estado e de um projeto de desenvolvimento. O manifesto aponta a importância de preservar esse patrimônio institucional e de manter o planejamento e a cooperação como bases para o futuro do Estado”, afirmou.

Coordenador do Fórum de Entidades e Federações e da Findes, Paulo Baraona destaca que a iniciativa reforça a participação da indústria e dos demais setores produtivos nas discussões que antecedem as eleições.

Segundo ele, o movimento representa uma oportunidade para ampliar o diálogo com os diferentes atores responsáveis pelas decisões que terão impacto sobre o desenvolvimento do Estado.

O presidente do Sistema Fecomércio-ES – Sesc e Senac, Idalberto Moro, também defende um debate eleitoral baseado em propostas concretas.

A expectativa, segundo ele, é contribuir para decisões capazes de fortalecer o ambiente de negócios, estimular a geração de empregos e renda e ampliar a qualidade de vida dos capixabas.

Na avaliação do presidente da Fetransportes, Renan Chieppe, um dos principais desafios é construir uma agenda que não termine com o encerramento das eleições.

“O desenvolvimento do Espírito Santo depende da capacidade de criarmos agendas que ultrapassem, pontualmente, as eleições”, afirmou.

Já o presidente da Faes, Júlio da Silva Rocha Júnior, reforça a importância da participação conjunta dos diferentes setores da sociedade na construção de propostas para o Estado.

Com o lançamento do manifesto, o setor produtivo passa a ocupar um espaço mais evidente na construção da agenda que deverá acompanhar as eleições de 2026 no Espírito Santo.

Mais do que apresentar reivindicações específicas, as entidades sinalizam que pretendem acompanhar o processo eleitoral e cobrar dos futuros gestores compromissos relacionados a planejamento, desenvolvimento econômico, segurança, educação, saúde, inovação e sustentabilidade.

A movimentação também coloca em evidência uma questão que deverá ganhar força durante a campanha: quais projetos de Estado devem ser mantidos, quais precisam ser aperfeiçoados e quais novas estratégias serão necessárias para preparar o Espírito Santo para as próximas décadas?

É justamente nesse debate que o Movimento Ciclo Eleitoral 2026 pretende atuar, levando aos candidatos e à sociedade uma agenda construída a partir da visão de quem está diretamente ligado à produção, ao trabalho, aos serviços, ao transporte e ao campo capixaba.

Leia também