“Sinfonia de Nenikekamen” celebra os 40 anos da companhia e coloca no centro do palco as trajetórias de bailarinos que ajudaram a construir a história da dança no Espírito Santo
O que acontece quando artistas que ajudaram a construir a história da dança no Espírito Santo retornam ao palco depois de quatro décadas? Essa é uma das questões que atravessam “Sinfonia de Nenikekamen”, espetáculo da Cia. de Dança Mitzi Marzzuti que será apresentado no Theatro Carlos Gomes, em Vitória, entre os dias 8 e 11 de outubro.
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A montagem marca os 40 anos da companhia e reúne intérpretes da primeira formação em uma criação que discute envelhecimento, permanência e etarismo nos palcos. A proposta é olhar para os corpos que envelhecem e questionar padrões que ainda associam a dança à juventude, à forma física e ao desempenho.
Em vez de reproduzir os movimentos e as performances do início da carreira, os artistas retornam à cena para mostrar quem são hoje, incorporando as transformações trazidas pelo tempo. A experiência acumulada ao longo de décadas passa a ser parte da criação artística.
O espetáculo reúne Liliane Cunha, Tadeu Schneider, Bianca Corteletti, Carolina Aguiar, Jeremias Schaydegger e Marcos Pitanga, entre coreógrafos e bailarinos que compartilham experiências construídas ao longo de mais de 40 anos de dedicação à dança no Espírito Santo.
A montagem coloca essas trajetórias no centro da cena e propõe uma reflexão sobre até quando um corpo pode ocupar o palco. O etarismo na dança aparece como uma questão importante do trabalho, especialmente em um cenário no qual o envelhecimento pode ser associado à perda de capacidade e ao afastamento da criação artística.
“Sinfonia de Nenikekamen” não busca esconder as marcas do tempo ou recuperar uma ideia de juventude. A proposta é incorporar as mudanças à cena e apresentar diferentes formas de dançar e estar no palco.
Humor, fragilidade, desejo, experiência e potência fazem parte dessa construção, que valoriza a presença dos artistas e as possibilidades de expressão que surgem com o passar dos anos.
O título “Nenikekamen”, palavra grega que significa “nós vencemos”, remete à história do mensageiro Fidípides, associada à origem da maratona. Segundo a narrativa que inspira o projeto, ele teria corrido até Atenas para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas, chegando à cidade com a mensagem “Nenikekamen” antes de morrer de exaustão.
No espetáculo, a expressão ganha um novo significado. A vitória está relacionada à permanência dos artistas na dança e à ocupação de espaços que, muitas vezes, deixam de ser oferecidos a profissionais à medida que envelhecem.
Os intérpretes convidados seguem atuando como bailarinos, mestres e coreógrafos. O reencontro no palco representa, assim, uma oportunidade de compartilhar experiências e mostrar que o tempo de carreira pode ampliar as possibilidades de criação artística.
A discussão também se estende às oportunidades para artistas mais velhos, destacando que experiência e longevidade profissional não significam afastamento da cena. Ao contrário, podem revelar outras formas de presença, movimento e expressão.
Criada em 1986, a Cia. de Dança Mitzi Marzzuti está entre as companhias pioneiras da dança profissional no Espírito Santo. Ao longo de quatro décadas, contribuiu para a formação de bailarinos e para a construção da cena da dança no Estado.
O reencontro de artistas da primeira formação marca os 40 anos da companhia e transforma a celebração em uma oportunidade de revisitar sua trajetória, discutir o lugar dos profissionais que envelhecem na dança e refletir sobre os caminhos da criação artística.
A coordenação geral, direção artística e coreografia são de Mítzi Marzzuti. As fotografias do projeto são assinadas por Carlos Antolini, jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e repórter fotográfico há 38 anos. Com quatro livros publicados, o profissional é especializado em fotografia artística de dança.
O projeto conta com patrocínio da Lei Rubem Braga de Incentivo à Cultura e da Prefeitura Municipal de Vitória.
Ingressos
- 8 e 9 de outubro: entrada gratuita, com distribuição na bilheteria do teatro nas datas das apresentações.
- 10 e 11 de outubro: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).
Vendas: bilheteria do Theatro Carlos Gomes, das 14h às 19h.
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