Obstrução nasal causada pela rinite favorece o ronco, compromete o descanso e pode impactar a saúde de adultos e crianças, especialmente durante o inverno.
O nariz entupido é um dos sintomas mais comuns da rinite alérgica, mas seus efeitos vão muito além do desconforto respiratório. No Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, especialistas chamam a atenção para uma consequência pouco conhecida da doença: a interferência na qualidade do sono, que pode favorecer o ronco e até aumentar o risco de apneia obstrutiva do sono.
Durante o inverno, período marcado pelo clima seco, temperaturas mais baixas e maior permanência em ambientes fechados, as crises alérgicas tendem a se intensificar. A concentração de ácaros, poeira e mofo aumenta, agravando os sintomas em pessoas alérgicas.
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Segundo a médica pneumologista e especialista em Medicina do Sono, Dra. Jéssica Polese, a obstrução nasal dificulta a passagem do ar durante a noite e faz com que muitas pessoas passem a respirar pela boca enquanto dormem.
“Quando o nariz permanece obstruído, o organismo faz um esforço maior para respirar durante a noite. Isso reduz a qualidade do sono, provoca despertares frequentes e faz com que a pessoa acorde cansada, mesmo após várias horas na cama. Muitas vezes, o paciente trata apenas a alergia e não percebe que também está desenvolvendo um distúrbio do sono”, explica a médica.
Além da sensação constante de cansaço, noites mal dormidas podem provocar sonolência diurna, dificuldade de concentração, alterações de memória, redução da imunidade e queda na qualidade de vida. Em pessoas predispostas, a dificuldade respiratória durante o sono também pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da apneia obstrutiva do sono, doença caracterizada por interrupções repetidas da respiração ao longo da noite.
A rinite alérgica persistente merece atenção especial na infância. O quadro pode levar ao ronco frequente, à respiração bucal e a um sono fragmentado, comprometendo o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças.
Entre os sinais mais comuns estão irritabilidade, dificuldade de aprendizagem, sonolência durante o dia e queda no rendimento escolar.
A Dra. Jéssica Polese destaca que o ronco infantil nunca deve ser encarado como algo normal.
“Pais costumam associar o ronco infantil apenas ao nariz entupido, mas ele pode ser um sinal de que a criança não está respirando adequadamente durante o sono. Quando isso acontece de forma contínua, é importante investigar.”
O tratamento adequado da rinite alérgica, aliado ao controle dos fatores desencadeantes e ao acompanhamento médico, melhora significativamente a respiração e contribui para um sono mais reparador.
Medidas simples, como manter os ambientes limpos e ventilados, reduzir o acúmulo de poeira, higienizar roupas de cama regularmente e seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico, ajudam a controlar as crises alérgicas.
A especialista reforça que sintomas como nariz entupido persistente, ronco frequente e cansaço ao acordar não devem ser ignorados.
“Respirar bem durante a noite é essencial para que o organismo descanse e se recupere. Quando a rinite é tratada corretamente, a qualidade do sono melhora, assim como a disposição, a concentração e a saúde de forma geral.”
No Dia Mundial da Alergia, o alerta é claro: cuidar da saúde respiratória também é investir em noites de sono de qualidade e em uma vida mais saudável. Em caso de sintomas persistentes, a avaliação médica é fundamental para o diagnóstico e o tratamento adequados.