Os chamados picos de pressão arterial são elevações repentinas da pressão sanguínea que podem durar minutos ou até horas. Embora nem sempre indiquem que a pessoa tenha hipertensão arterial sistêmica, esses episódios merecem atenção, especialmente quando ocorrem com frequência ou atingem níveis muito elevados. O tema ganhou destaque após o jornalista Alex Escobar ter tido uma crise durante um programa na TV Globo.
![]()
“Um dos principais desafios relacionados à pressão alta é justamente o fato de que ela costuma ser silenciosa. Na maioria das vezes, não há sintomas específicos durante um pico de pressão. Situações de ansiedade, estresse ou dor podem provocar um aumento temporário dos níveis pressóricos, mas os desconfortos percebidos nesses momentos geralmente estão relacionados ao fator desencadeante e não necessariamente à pressão elevada em si. Esse caráter silencioso é considerado um dos maiores perigos da hipertensão”, explica Tiago Coelho, cardiologista do Hospital Santa Rita.
Entre os sintomas frequentemente associados aos episódios de aumento da pressão está a sensação de voz trêmula. No entanto, o médico explica que essa alteração não é causada diretamente pela pressão alta. “A tremulação da voz costuma ocorrer devido à ativação do sistema nervoso em situações de estresse, ansiedade ou descarga de adrenalina, condições que frequentemente acompanham os picos de pressão. Ou seja, não é a pressão arterial elevada que provoca a alteração vocal, mas o estado emocional vivido naquele momento.”
Os picos de pressão podem representar um risco importante à saúde. Quando os níveis se elevam excessivamente, aumentam as chances de lesões em órgãos vitais, como cérebro, coração, rins e olhos. “O perigo é maior quando a pressão arterial atinge valores iguais ou superiores a 180/110 mmHg, situação que pode caracterizar uma urgência ou emergência hipertensiva e exige avaliação médica imediata”, alerta o cardiologista do Hospital Santa Rita.
![]()
Em relação ao coração, um pico isolado de pressão geralmente não causa danos permanentes em pessoas saudáveis. Segundo Alex Gomes Rodrigues, coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital São José e professor do Unesc, o problema surge quando essas elevações se repetem ao longo do tempo. “Nesses casos, o coração precisa realizar um esforço maior para bombear o sangue, o que pode provocar, com o passar dos anos, aumento do músculo cardíaco, favorecer o surgimento de arritmias, insuficiência cardíaca e elevar o risco de infarto.”
Diversos fatores podem desencadear picos de pressão arterial. Entre os principais, Alex Gomes Rodrigues cita o estresse emocional, a ansiedade, a dor, o excesso de sal na alimentação, a privação de sono, o sedentarismo, a interrupção inadequada dos medicamentos para controle da hipertensão e o consumo excessivo de substâncias estimulantes, como cafeína e bebidas energéticas.
O tratamento dos picos de pressão depende, antes de tudo, da identificação da causa. Em muitos casos, medidas simples como repouso e controle da ansiedade podem ajudar significativamente. Também é importante avaliar a quantidade diária de cafeína consumida. “A recomendação é não ultrapassar 400 miligramas por dia, considerando que uma xícara de café contém, em média, cerca de 150 miligramas da substância. Para pessoas diagnosticadas com hipertensão arterial, a manutenção correta do tratamento medicamentoso é fundamental. Quando os episódios se tornam frequentes, a orientação é procurar avaliação médica para investigar as causas, ajustar o tratamento e reduzir os riscos de complicações cardiovasculares”, conclui Tiago Coelho, cardiologista do Hospital Santa Rita.