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Brasileiros trocam ultraprocessados por alimentos naturais

Brasileiros mudam hábitos no supermercado e aumentam busca por alimentos naturais e ricos em proteína

Os brasileiros estão mudando a forma de consumir alimentos e levando mais saúde para dentro do carrinho de compras. Uma pesquisa recente da Scanntech mostra que cresce a procura por produtos naturais, proteínas e itens minimamente processados, enquanto alimentos ultraprocessados perdem espaço nas prateleiras e na rotina das famílias.

O levantamento revela que, entre 2022 e 2025, frutas in natura registraram aumento de 33,9% no volume de vendas. O consumo de ovos cresceu 24,3%, enquanto o frango in natura avançou 15,4%. Em contrapartida, produtos industrializados como massa instantânea tiveram queda de 16,6%, e os biscoitos recuaram 10,1%.

A mudança reflete um consumidor mais atento à qualidade dos alimentos, aos rótulos e aos impactos da alimentação na saúde e no bem-estar. O movimento acompanha uma tendência crescente de busca por mais equilíbrio alimentar, prevenção de doenças e melhora da qualidade de vida.

Segundo o médico Danilo Almeida, fundador da Clínica Versio, essa transformação nos hábitos pode trazer benefícios importantes quando ocorre de forma contínua e sustentável.

“Quando a pessoa começa a priorizar alimentos de verdade e observa melhor o que consome, o organismo tende a responder com mais energia, melhor saciedade e equilíbrio metabólico. O mais importante é transformar isso em rotina e não em algo temporário”, explica.

A troca de ultraprocessados por alimentos naturais costuma reduzir o consumo excessivo de sódio, açúcar e gorduras de baixa qualidade, ao mesmo tempo em que aumenta a ingestão de fibras, vitaminas, minerais e proteínas mais nutritivas.

Para o médico, mudanças simples e constantes costumam gerar resultados mais duradouros do que dietas restritivas ou radicais.

“Não é necessário mudar tudo de uma vez. Quando alguém substitui refrigerante por água, lanches industrializados por frutas ou melhora o café da manhã, já existe um impacto positivo importante no médio e longo prazo”, afirma.

Dr. Danilo também destaca que esse processo ajuda a melhorar a relação das pessoas com a alimentação.

“Quando entendemos que saúde se constrói com constância e equilíbrio, as escolhas saudáveis deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do cotidiano”, ressalta.

Entre as principais tendências observadas no supermercado está o crescimento da procura por alimentos ricos em proteína. O nutriente vem sendo associado à saciedade, preservação da massa muscular e melhora da composição corporal.

Além do aumento nas vendas de ovos e frango, a pesquisa também identificou crescimento de 19,6% na procura por sardinha enlatada, reforçando o interesse dos consumidores por fontes proteicas mais acessíveis.

“O interesse pela proteína faz sentido, porque ela auxilia no controle da fome e na manutenção muscular. Mas o excesso ou a monotonia alimentar também precisam ser evitados. O ideal é distribuir diferentes fontes proteicas ao longo do dia dentro de uma alimentação equilibrada”, orienta o médico.

Ele explica que ovos, peixes, carnes magras, frango, feijão, lentilha, grão-de-bico, iogurte natural e queijos em quantidades adequadas podem compor uma alimentação saudável e variada.

“Não existe alimento milagroso. O resultado vem da combinação entre variedade, equilíbrio e constância”, acrescenta.

Apesar do aumento na procura por produtos considerados saudáveis, o médico alerta que nem tudo o que possui aparência fitness ou natural realmente apresenta boa qualidade nutricional.

“Muitos produtos usam um apelo saudável no marketing, mas continuam ricos em açúcar, sódio ou calorias. Ler os rótulos e observar a composição dos alimentos segue sendo essencial”, destaca.

Para quem deseja melhorar os hábitos alimentares e transformar as escolhas do supermercado em um estilo de vida mais saudável, Dr. Danilo Almeida recomenda algumas estratégias práticas:

  • Planejar as refeições antes de ir ao mercado;
  • Começar as compras pelo setor de hortifruti;
  • Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados;
  • Manter opções saudáveis e práticas em casa;
  • Comparar versões dos produtos;
  • Ler os rótulos com atenção, observando ingredientes, açúcar e sódio.

“Saúde alimentar não se constrói em uma compra isolada, mas na repetição de boas escolhas. Quanto mais simples e sustentável for a rotina, maiores as chances de ela durar”, conclui o médico.

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