Moda e Beleza

Estética masculina avança no Brasil e homens já representam 30% dos pacientes de procedimentos estéticos

Busca por aparência mais descansada, imagem profissional e autocuidado impulsiona procura por botox, preenchimento e tratamentos faciais

O cuidado com a aparência vem deixando de ser tratado como um universo predominantemente feminino. No Brasil, os homens já representam cerca de 30% dos pacientes de procedimentos estéticos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em um movimento que revela mudança de comportamento e maior naturalidade em relação ao autocuidado. Há cerca de cinco anos, esse percentual era seis vezes menor.

A tendência é puxada, sobretudo, pelos procedimentos não cirúrgicos, como aplicação de toxina botulínica, preenchimento facial, bioestimuladores de colágeno e tratamentos voltados à qualidade da pele. No cenário internacional, o avanço também é percebido. O levantamento Global Survey 2024, da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), aponta a toxina botulínica e o ácido hialurônico entre os procedimentos não cirúrgicos mais realizados no mundo, com crescimento consistente também entre o público masculino.

Nos consultórios, a avaliação é de que esse movimento está ligado não apenas à vaidade, mas também à busca por uma aparência mais descansada, saudável e alinhada à vida profissional. Em Vitória, a cirurgiã-dentista pós-graduada em Harmonização Orofacial Adriana Fabres afirma que a procura masculina vem crescendo de forma contínua. Hoje, eles representam cerca de 10% dos pacientes recorrentes da clínica.

“Muitos chegam por indicação de amigos. Um faz, comenta que foi tranquilo, que o resultado ficou natural, e isso ajuda a quebrar o tabu e vencer preconceitos”, afirma a especialista. Segundo ela, o perfil masculino costuma ser mais objetivo. “Eles querem melhorar a aparência sem parecer que fizeram algum procedimento. O foco geralmente é tirar o aspecto de cansaço e manter uma imagem profissional mais alinhada.”

Esse foi o caso do servidor público Arthur Barreto, que decidiu investir em botox e bioestimulador de colágeno após os 30 anos. “Eu produzo muito conteúdo na Internet sobre viagens e o meu dia a dia, então, coisas que antes não me incomodavam na minha imagem passaram a incomodar, como a testa franzida e as rugas ao lado dos olhos. Eu queria uma aparência que me fizesse sentir melhor comigo mesmo e que passasse uma imagem pessoal e profissional melhor”, relata.

A mudança cultural aparece também nas pesquisas de comportamento. Levantamento do Grupo Croma mostra que 72% dos homens brasileiros dizem cuidar da própria aparência, enquanto 68% afirmam não ter vergonha de investir em cuidados estéticos. Além disso, 60% associam o autocuidado à saúde e 50% dizem querer envelhecer sem aparentar a idade.

Entre os procedimentos mais procurados pelo público masculino, estão aqueles com resultados discretos e rápida recuperação. Botox, preenchimento facial com cautela, bioestimuladores de colágeno e microagulhamento superficial lideram a lista. “A aplicação no homem é diferente da feminina. A técnica, os pontos e as doses mudam, justamente para respeitar a anatomia masculina e evitar resultados artificiais”, explica Adriana.

O avanço da procura acompanha também o crescimento do mercado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores mercados de beleza masculina do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Relatórios do setor indicam ainda que o público masculino está entre os que mais crescem dentro da estética médica no país, impulsionado pela maior aceitação social do tema e pela oferta de tratamentos menos invasivos.

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