Mais de dez anos após o desastre ambiental de Mariana, ocorrido em 2015, o Litoral Norte do Espírito Santo ainda enfrenta os reflexos sociais, ambientais e econômicos provocados pelo rompimento da barragem. Para avançar na reconstrução da região, as Secretarias de Recuperação do Rio Doce (Serd) e do Turismo (Setur) alinharam, nesta terça-feira (6), estratégias conjuntas para o Plano de Desenvolvimento Integrado da Foz do Rio Doce e Região Costeira Adjacente.
O encontro, realizado na sede da Serd, em Vitória, teve como foco a integração das ações voltadas à retomada econômica com base em um modelo sustentável, que prioriza o turismo comunitário, ecológico, cultural e esportivo. A proposta busca gerar renda, fortalecer a identidade local e melhorar a qualidade de vida das comunidades diretamente impactadas pela lama de rejeitos.
A área contemplada pelo plano inclui as localidades de Povoação, Regência, Degredo, Areal, Entre Rios e Pontal do Ipiranga, em Linhares, além da Terra Indígena de Comboios, em Aracruz. Todas foram atingidas pela pluma de rejeitos liberada após o rompimento da barragem da Samarco, o que comprometeu atividades tradicionais como a pesca, o turismo e o comércio local.
Durante a reunião, equipes técnicas das duas secretarias discutiram a necessidade de conectar o plano específico da Foz do Rio Doce às políticas públicas de turismo já desenvolvidas pelo Governo do Estado. Oficinas e câmaras técnicas realizadas nas próprias comunidades indicaram que o potencial turístico da região pode ser o principal vetor para a recuperação econômica.
A articulação intersetorial também deve avançar com a participação de outros órgãos estaduais, ampliando o alcance das ações. A proposta é construir uma estratégia integrada, que vá além de iniciativas isoladas e considere aspectos culturais, produtivos e ambientais do território.
Paralelamente ao planejamento, investimentos em infraestrutura já começaram a sair do papel. Em novembro de 2025, o Governo do Estado anunciou o repasse de R$ 11,8 milhões para obras nos portos de Povoação e Regência, recursos vinculados ao Novo Acordo de Repactuação do desastre de Mariana.
Em Povoação, o investimento de R$ 7,3 milhões prevê a construção de um novo porto para pescadores e a revitalização de vias importantes do distrito, com pavimentação, sinalização e modernização da iluminação pública. Já em Regência, R$ 4,5 milhões serão destinados à reforma do antigo porto, que dará lugar a um espaço de convivência com áreas de descanso, bancos e academia ao ar livre.
As intervenções buscam beneficiar moradores, pescadores, comerciantes e visitantes, criando condições para que o turismo volte a ser uma atividade econômica relevante, aliada à preservação ambiental. A expectativa é que a soma de planejamento, investimentos e participação comunitária contribua para um processo de recuperação mais duradouro e equilibrado no Litoral Norte capixaba.