Trocar carne por peixe na Quaresma pode trazer benefícios metabólicos, afirma endocrinologista
Durante a Quaresma, tradição seguida por milhões de fiéis, a redução ou suspensão do consumo de carne vermelha dá lugar a uma alimentação com maior presença de peixes. Embora motivada por questões religiosas, essa mudança pode gerar impactos positivos na saúde metabólica.
De acordo com a endocrinologista Gisele Lorenzoni, substituir a carne vermelha por peixes — especialmente os ricos em ômega-3 — contribui para o equilíbrio do organismo. “Peixes como salmão, sardinha e atum são fontes importantes de ácidos graxos com ação anti-inflamatória, que ajudam a melhorar o perfil lipídico e favorecem a saúde cardiovascular”, explica.
Outro benefício está na redução da ingestão de gorduras saturadas, mais comuns em cortes gordurosos de carne vermelha, o que pode impactar diretamente na diminuição dos níveis de colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Segundo a especialista, dietas com maior presença de peixes e menor consumo de carnes processadas também estão associadas à redução da inflamação sistêmica — fator relevante na prevenção de doenças metabólicas.
“Quando essa substituição é feita de forma equilibrada, há melhora na sensibilidade à insulina, no controle do peso e até no nível de energia. O problema ocorre quando o peixe passa a ser consumido principalmente em versões fritas ou acompanhado de alimentos ultraprocessados à base de farinha refinada”, alerta a médica.
Além da troca de proteínas, a Quaresma também costuma incentivar a redução de doces, bebidas alcoólicas e refrigerantes. Para Gisele, esse conjunto de mudanças pode funcionar como um verdadeiro “reset metabólico”. “Diminuir o consumo de açúcar e álcool, mesmo que por algumas semanas, já contribui para reduzir picos glicêmicos, melhorar a função hepática e evitar o acúmulo de gordura visceral”, destaca.
Apesar dos benefícios, a endocrinologista reforça que o equilíbrio é fundamental. A orientação é evitar compensações com excesso de massas, pães ou frituras e apostar em uma alimentação mais natural, com vegetais, leguminosas e preparações saudáveis, como peixes grelhados ou assados.
Por fim, a especialista destaca que mudanças sazonais podem se transformar em hábitos duradouros. “Quando o paciente percebe melhora na disposição, redução do inchaço e até resultados positivos nos exames laboratoriais, ele entende que a alimentação é uma ferramenta terapêutica. A Quaresma pode ser um ponto de partida para um cuidado mais amplo com a saúde”, conclui.