Pesquisa com polilaminina reacende esperança para pessoas com lesão medular
O Espírito Santo voltou a ocupar posição de destaque no cenário científico nacional com os avanços das pesquisas envolvendo a polilaminina, substância experimental estudada como possível alternativa terapêutica para pessoas com lesão medular total. O tema foi debatido em encontro institucional realizado no Palácio Anchieta, em Vitória, reunindo autoridades políticas, pesquisadores e profissionais da saúde.
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O governador Renato Casagrande ressaltou que o Estado tem feito uma escolha estratégica ao investir de forma contínua em ciência, inovação e saúde pública. Segundo ele, apoiar pesquisas de alto impacto social é fundamental para transformar conhecimento em qualidade de vida. Casagrande destacou ainda a importância da parceria com universidades, pesquisadores e hospitais capixabas no fortalecimento de um ambiente favorável ao desenvolvimento científico.
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Na mesma linha, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, enfatizou o papel do Parlamento no incentivo à ciência brasileira. Para ele, reconhecer pesquisadores é também defender as universidades públicas e valorizar estudos que podem mudar a realidade de milhares de famílias. O Legislativo capixaba, segundo Santos, atua para aproximar o poder público das iniciativas científicas que geram impacto social concreto.
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A pesquisadora Tatiana Coelho Lobo de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenadora do estudo, explicou que a polilaminina é resultado de décadas de pesquisa em biologia regenerativa. Ela esclareceu que o uso do medicamento fora dos estudos clínicos, por meio de autorizações judiciais e do chamado uso compassivo, pode trazer desafios à pesquisa, mas não invalida nem interrompe o desenvolvimento científico. “A ciência não pode se sobrepor à urgência de quem não tem outra alternativa terapêutica”, afirmou, destacando que todas as autorizações passam pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Tatiana também atualizou o estágio da pesquisa clínica, informando que o estudo já recebeu as aprovações regulatórias necessárias e deve iniciar a fase clínica em breve. Essa etapa será fundamental para avaliar a segurança do composto e, posteriormente, sua eficácia. Segundo a pesquisadora, a ampla repercussão do tema ajuda a aproximar a sociedade da ciência, ainda que traga o desafio de lidar com expectativas elevadas. “É preciso cautela, responsabilidade e transparência, sem perder de vista a esperança”, pontuou.
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O secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, afirmou que o Governo do Espírito Santo tem atuado de forma estratégica para apoiar o avanço da pesquisa. “Estamos muito confiantes nos resultados que vêm sendo apresentados e preparados para oferecer toda a estrutura necessária da rede estadual de saúde para que os estudos avancem com segurança. O Espírito Santo tem capacidade técnica, hospitais de referência e equipes qualificadas para contribuir não apenas com a pesquisa, mas também com o cuidado integral e a reabilitação dos pacientes”, destacou.
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O médico capixaba Olavo Borges Franco, integrante da equipe que acompanha pacientes no Espírito Santo, apresentou dados sobre os casos já tratados no Estado. Cinco pacientes receberam a aplicação da polilaminina: três seguem em recuperação considerada promissora, enquanto dois, com lesões cervicais completas e graves, faleceram em decorrência de complicações clínicas. Segundo ele, lesões medulares altas apresentam elevada taxa de mortalidade, o que reforça a complexidade do tratamento e a necessidade de acompanhamento especializado.
Olavo Franco explicou ainda que os pacientes incluídos formalmente no estudo clínico têm acompanhamento sistemático da equipe de pesquisa, enquanto aqueles que recebem a substância por decisão judicial são acompanhados dentro das possibilidades locais, em parceria com equipes hospitalares. “O compromisso médico permanece com cada paciente, independentemente da via de acesso ao tratamento”, afirmou.
Ao final do encontro, autoridades e pesquisadores reforçaram que o avanço da polilaminina simboliza mais do que um possível novo tratamento: representa a força da ciência brasileira, o papel das universidades públicas e a construção coletiva de esperança para pessoas que, até pouco tempo, não dispunham de alternativas terapêuticas para lesões na medula espinhal.