Saúde

Península de Nicoya revela segredos da longevidade na América Latina

Entre as regiões do mundo reconhecidas por concentrar pessoas que vivem mais e com melhor qualidade de vida, conhecidas como Zonas Azuis, uma delas está na América Latina. Trata-se da Península de Nicoya, localizada na região noroeste da Costa Rica, que se tornou referência mundial em longevidade saudável.

O conceito de Zonas Azuis ganhou notoriedade a partir de estudos conduzidos pelo pesquisador e escritor Dan Buettner, que identificou regiões do planeta onde a população apresenta maior expectativa de vida e grande número de pessoas centenárias. Nessas localidades, fatores ligados ao estilo de vida se repetem e ajudam a explicar por que tantas pessoas alcançam idades avançadas mantendo autonomia e boa saúde.

Na Península de Nicoya, por exemplo, a longevidade não está relacionada a tecnologias médicas sofisticadas ou a grandes centros hospitalares. O que chama a atenção dos pesquisadores é justamente a simplicidade do cotidiano da população local. A alimentação baseada em produtos naturais, como milho, feijão, frutas e vegetais, é um dos pilares desse estilo de vida.

Outro fator importante é a atividade física incorporada à rotina. Em vez de exercícios estruturados em academias, os moradores mantêm o corpo ativo por meio de atividades diárias, como caminhar, cuidar da casa, trabalhar na terra ou realizar tarefas domésticas. Esse movimento constante ao longo do dia contribui para a manutenção da saúde física.

As relações sociais também têm papel fundamental na longevidade observada na região. A convivência entre gerações, o fortalecimento dos vínculos familiares e a participação ativa na comunidade ajudam a criar uma rede de apoio que impacta positivamente o bem-estar emocional.

Além disso, muitos moradores da Península de Nicoya demonstram um forte senso de propósito, chamado localmente de “plan de vida”, expressão que se refere à motivação para viver e continuar contribuindo com a família e a comunidade mesmo em idade avançada.

Para a médica de família e comunidade da Bluzz Saúde, Jetele Pianna, os hábitos observados nessa região mostram que viver mais e melhor não depende só de avanços tecnológicos ou de tratamentos médicos complexos. “Elementos simples do cotidiano, como alimentação equilibrada, movimento constante, conexões sociais e propósito de vida, podem ter impacto significativo na qualidade e na duração da vida”.

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