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Mulheres brasileiras dormem pior que homens

Dados inéditos do Vigitel 2025 revelam que a qualidade do sono é mais comprometida entre as mulheres, influenciada por sobrecarga de tarefas e fases hormonais da vida.

As mulheres brasileiras apresentam pior qualidade de sono em comparação aos homens. É o que revela a edição 2025 do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), apresentada pelo Ministério da Saúde, que trouxe pela primeira vez dados específicos sobre o padrão de sono da população.

Ao todo, foram realizadas 833.217 entrevistas com adultos a partir de 18 anos, moradores das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal. O levantamento mostrou que a frequência de adultos com duração curta de sono é maior entre as mulheres (21,3%) do que entre os homens (18,9%). Os índices femininos são superiores em 18 capitais do país, incluindo São Paulo, além do Distrito Federal.

Além do sono, o Vigitel também avaliou outros fatores relacionados à saúde da população brasileira, como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão, hábitos alimentares e prática de atividade física.

Jessica Polese, Medicina do Sono

De acordo com a pneumologista e especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, a sobrecarga vivida pelas mulheres é um dos principais fatores que impactam negativamente a qualidade do descanso. “Atualmente, muitas mulheres acumulam funções como cuidar da casa, dos filhos e ainda trabalhar fora. É uma rotina pesada e estressante, à qual a maioria acaba se habituando por fatores culturais”, explica.

A médica destaca ainda que as diferentes fases da vida feminina exercem influência direta sobre o sono. “As mulheres passam por períodos como gravidez e menopausa, e todos eles afetam a qualidade do sono”, afirma.

Durante a gestação, por exemplo, as alterações hormonais, os desconfortos físicos e a necessidade frequente de urinar tornam o descanso mais difícil. “O sono durante a gravidez e também após o nascimento do bebê é uma fase desafiadora para a mulher”, observa Jessica Polese.

Na menopausa, as mudanças hormonais típicas desse período estão entre as principais causas de despertares noturnos, insônia e dificuldade para manter um sono profundo e reparador. Segundo a especialista, esses distúrbios podem provocar cansaço crônico, queda no rendimento profissional e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas.

“Cada paciente deve ser avaliada individualmente. O tratamento do sono precisa ser multidisciplinar e pode incluir desde ajustes comportamentais até intervenções médicas personalizadas. O objetivo é devolver qualidade de vida e energia para o dia a dia dessas mulheres”, conclui a médica.

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