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Março Roxo: Vitória avança como referência em políticas públicas sobre epilepsia

A campanha mundial de conscientização sobre a epilepsia, conhecida como Março Roxo, tem ganhado cada vez mais força em Vitória. A iniciativa, conduzida pela embaixada estadual da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE-ES), vem consolidando uma articulação entre sociedade civil, Legislativo e Executivo para transformar informação em políticas públicas permanentes de inclusão e cuidado.

Desde 2023, o movimento no Espírito Santo vem sendo estruturado com o objetivo de ampliar o debate sobre a epilepsia e fortalecer ações institucionais voltadas à conscientização e ao acolhimento das pessoas que convivem com a condição. Com o apoio da Prefeitura de Vitória, a capital capixaba passou a ocupar papel de destaque na construção de uma agenda pública voltada ao tema.

Nos dois primeiros anos da iniciativa, entre 2023 e 2024, o foco esteve na sensibilização institucional e na criação de marcos legais. Nesse período, foram instituídas leis municipais que reconhecem oficialmente o Dia e o Mês de Conscientização da Epilepsia — o Março Roxo — inserindo a pauta no calendário oficial da cidade. A medida ampliou a visibilidade do tema e consolidou o reconhecimento da epilepsia como questão de saúde pública, inclusão social e cidadania.

Em 2025, o movimento avançou na aproximação com o Executivo municipal, ampliando o diálogo com secretarias estratégicas como Educação, Saúde e Cidadania. A parceria institucional permitiu que ações práticas começassem a ser implementadas, mesmo antes da formalização de novas legislações específicas.

De acordo com a embaixadora estadual da ABE, Jacque Barros, que também é mãe de uma criança com epilepsia, a condição vai além de um diagnóstico médico e exige uma abordagem social e institucional mais ampla.

“A epilepsia não é apenas uma condição clínica. Ela impacta a vida escolar, a inserção no mercado de trabalho e a saúde emocional. O medo da exclusão, muitas vezes, é tão marcante quanto a própria crise. Por isso, políticas públicas voltadas à capacitação de profissionais da educação, preparo adequado nos pronto-atendimentos e alinhamento às diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego são passos fundamentais para transformar inclusão em prática”, explica.

Entre as ações desenvolvidas está a participação em dez edições do projeto Vitória com Você, iniciativa que amplia o acesso da população à informação nas comunidades. A participação do movimento no projeto contribuiu para orientar moradores sobre primeiros socorros em casos de crise convulsiva, além de combater o estigma associado à epilepsia. A continuidade da iniciativa já está confirmada para 2026.

Outro avanço importante foi a realização de uma reunião com a Secretaria Municipal de Educação para iniciar a construção de ações estruturadas voltadas à capacitação de profissionais da rede de ensino e à promoção de diretrizes que garantam a inclusão de estudantes com epilepsia no ambiente escolar.

Apesar dos avanços alcançados por meio da cooperação institucional, especialistas destacam que a formalização das iniciativas por meio de legislação específica é fundamental para garantir continuidade das políticas públicas em futuras gestões. A medida busca assegurar que as ações implantadas se consolidem como política permanente de Estado.

A pauta também dialoga com diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego, especialmente no contexto da NR-01, que trata da gestão de riscos ocupacionais, incluindo fatores psicossociais que impactam a saúde emocional dos trabalhadores.

Nos últimos meses, a epilepsia ganhou maior destaque na mídia nacional, ampliando o debate público sobre a importância da informação correta e do preparo da sociedade para lidar com crises convulsivas. O cenário reforça a necessidade de transformar a visibilidade momentânea em políticas permanentes de orientação, acolhimento e inclusão.

Para 2026, a parceria entre a ABE-ES e a Prefeitura de Vitória prevê novos avanços. Entre as propostas em discussão estão a articulação para criação de um Centro de Referência Estadual em Epilepsia, a ampliação da capacitação de profissionais da rede municipal de ensino, o treinamento de servidores do atendimento público e a consolidação do Março Roxo como política intersetorial contínua.

Com essas iniciativas, Vitória reforça o compromisso de se consolidar como referência em políticas públicas de saúde inclusivas. A experiência da capital capixaba passa a servir de modelo para outros municípios do Espírito Santo e também para cidades de diferentes regiões do país que buscam fortalecer políticas voltadas à conscientização, ao acolhimento e à qualidade de vida das pessoas com epilepsia.

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