Economia

Maratona na compra do material escolar

A compra do material escolar movimenta papelarias e também as emoções de famílias e estudantes neste início de ano letivo. Em uma papelaria de Vitória, o cenário é de corredores cheios, listas nas mãos e muita conversa — não só entre pais e vendedores, mas principalmente entre adultos e crianças, que veem nesse momento a chance de escolher itens que traduzem expectativas para o novo ano.

Para os alunos, o encanto é imediato. Cadernos coloridos, mochilas diferentes, lápis fluorescentes e estojos chamam a atenção. Já para os pais, o desafio é equilibrar desejo e orçamento. A negociação faz parte do processo e exige jogo de cintura. “Se deixar por conta deles, querem tudo o que é mais caro”, comenta uma mãe, enquanto tenta chegar a um acordo com o filho sobre quais cadernos levar.

Em meio a essas conversas, as crianças também participam ativamente das decisões. Um estudante explica que queria um modelo mais caro, mas acabou levando dois cadernos com preços diferentes, dividindo o uso por matérias. A estratégia agradou a todos. “Não dá para fazer todas as vontades, mas dá para sair todo mundo feliz”, resume a mãe.

Além da escolha dos materiais, muitas famílias aproveitam para reutilizar itens do ano anterior, como mochilas em bom estado, reforçando a ideia de consumo consciente. Para alguns pais, o momento vai além da compra: torna-se uma oportunidade de educação financeira. Conversar sobre preços, prioridades e limites ajuda as crianças a entenderem que nem tudo pode ser levado, mesmo quando o desejo é grande.

A lista de materiais também varia conforme a etapa escolar. Pais de alunos mais velhos relatam que, em séries mais avançadas, a quantidade de itens costuma ser menor. Em alguns casos, o desempenho escolar influencia nas escolhas. Há quem permita um pouco mais de liberdade quando o filho conquista uma vaga em uma escola disputada, encarando o gesto como forma de reconhecimento.

Nem sempre as crianças acompanham os pais às compras. Algumas famílias preferem deixar os pequenos em casa para evitar conflitos. Ainda assim, eles participam à distância, escolhendo entre duas ou três opções enviadas por foto no celular. A estratégia, segundo os pais, facilita a decisão e evita o impulso de querer “tudo o que aparece pela frente”.

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