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Inverno: o que aumenta os problemas respiratórios

Inverno exige atenção redobrada com a saúde respiratória; saiba por que os casos aumentam nesta época

Baixas temperaturas não provocam diretamente gripes e resfriados, mas mudanças de hábitos e condições do ambiente favorecem a circulação de vírus e podem agravar doenças respiratórias

Com a chegada do inverno e a queda nas temperaturas, cresce também a preocupação com a saúde respiratória. É comum que, nesta época do ano, aumentem os episódios de gripe, resfriado, rinite, sinusite, crises de asma e outras complicações que afetam as vias aéreas. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, o frio isoladamente não é o responsável por provocar essas doenças.

De acordo com a médica pneumologista e especialista em medicina do sono Jéssica Polese, o aumento dos problemas respiratórios durante os meses mais frios está relacionado principalmente às mudanças nas condições ambientais e no comportamento das pessoas.

“O frio não causa gripe, resfriado ou pneumonia. O que acontece é que, nessa época do ano, as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação, facilitando a transmissão de vírus. Além disso, o ar mais frio e seco compromete alguns mecanismos naturais de defesa das vias respiratórias, deixando o organismo mais vulnerável”, explica.

Um dos fatores que merece atenção é a baixa umidade do ar. Em períodos mais secos, as mucosas do nariz e das vias respiratórias podem ficar ressecadas, prejudicando uma importante barreira natural de proteção do organismo. Essa estrutura ajuda a reter partículas, microrganismos e outras impurezas que poderiam alcançar regiões mais profundas do sistema respiratório.

Segundo a especialista, quando essa proteção é comprometida, podem surgir irritações e piorar sintomas de doenças que já fazem parte da rotina de muitos pacientes.

“Esse ressecamento favorece irritações, piora quadros de rinite e sinusite e pode desencadear crises em pacientes com asma e doença pulmonar obstrutiva crônica. Não é apenas uma questão de sentir frio, mas de como o organismo reage às mudanças do ambiente”, afirma Jéssica.

Outro fator que contribui para a maior circulação de vírus é a permanência prolongada em locais fechados. Com portas e janelas menos abertas por causa das baixas temperaturas, a renovação do ar diminui, criando condições mais favoráveis para a transmissão de agentes infecciosos entre as pessoas.

Por isso, alguns grupos precisam de cuidados ainda maiores durante o inverno. Crianças, idosos, gestantes e pessoas que convivem com doenças respiratórias crônicas estão entre aqueles que podem apresentar maior risco de complicações quando desenvolvem infecções respiratórias.

A prevenção, nesse cenário, envolve medidas simples que podem ser incorporadas à rotina. Manter as vacinas atualizadas, principalmente a imunização contra a influenza, beber água regularmente, higienizar as mãos e evitar permanecer por períodos prolongados em ambientes fechados e sem ventilação são algumas das recomendações.

“Manter a vacinação em dia, especialmente contra a influenza, hidratar-se adequadamente, evitar ambientes fechados e sem ventilação por longos períodos, lavar as mãos com frequência e não se automedicar são atitudes que fazem diferença na prevenção”, orienta a pneumologista.

A atenção também deve ser redobrada quando os sintomas não apresentam melhora. Tosse intensa e persistente, falta de ar, febre prolongada ou uma piora significativa do estado geral são sinais que indicam a necessidade de avaliação médica.

“Muitas pessoas acreditam que é apenas uma gripe forte e demoram para procurar atendimento. Em alguns casos, essa demora pode favorecer a evolução para quadros mais graves, principalmente em quem já possui alguma doença respiratória ou faz parte dos grupos de risco”, ressalta.

Para Jéssica Polese, compreender a relação entre o inverno e o aumento das doenças respiratórias é fundamental para que a população adote medidas preventivas mais eficazes. O frio, portanto, não deve ser encarado como o único vilão, mas como parte de um conjunto de fatores que podem favorecer o surgimento ou o agravamento de problemas respiratórios.

“Mais importante do que tentar evitar o frio é adotar medidas que preservem a saúde respiratória durante esse período. A prevenção continua sendo a melhor estratégia para reduzir complicações”, conclui a especialista.

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