O que poderia parecer apenas um “hábito noturno” pode estar afetando profundamente a saúde mental da população. Hábitos modernos, como a chamada procrastinação de ir dormir, estão associados não apenas à piora da qualidade do sono, mas também ao aumento de sintomas de estresse, ansiedade e cansaço emocional — aspectos diretamente relacionados ao bem-estar mental – que é o foco da campanha Janeiro Branco, que coloca em evidência a importância da saúde emocional.
Pesquisa recente realizada pela Talker Research com 2.000 indivíduos nos Estados Unidos mostrou que a procrastinação na hora de dormir — quando a pessoa deliberadamente adia o momento de ir para a cama mesmo sabendo que isso prejudica o descanso — faz com que, em média, cada pessoa perca cerca de 332 horas de sono por ano. Os participantes admitiram permanecer em atividades como rolar redes sociais, assistir a vídeos ou buscar momentos de lazer, mesmo já cansados, resultando em quase duas horas a mais por noite além do horário planejado para dormir.
Para a pneumologista e Especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, esse padrão emerge como um sinal de desgaste emocional e falta de equilíbrio entre as demandas do dia a dia.
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“A procrastinação de ir dormir muitas vezes não é apenas uma questão de desorganização: ela está profundamente ligada à busca por um tempo de ‘respiro’ após um dia exaustivo. No entanto, essa escolha cotidiana de abrir mão de horas de descanso acaba por afetar o humor, a capacidade de lidar com o estresse e, a longo prazo, a saúde mental”, alerta a médica.
Noites mal dormidas prejudicam a regulação emocional, o processamento dos acontecimentos do dia e a resiliência ao estresse. Por outro lado, problemas emocionais como ansiedade e estresse podem intensificar a dificuldade em desligar a mente à noite, criando um ciclo difícil de quebrar.
“Quando não dormimos adequadamente, o cérebro tem menos oportunidade de processar experiências, restaurar funções cognitivas e equilibrar emoções. Isso se traduz em maior irritabilidade, sensação de sobrecarga e menor capacidade de enfrentar desafios — fatores que impactam diretamente a qualidade de vida”, afirma Jessica.
O correto é manter uma higiene do sono (horários regulares, evitar o uso de telas antes de dormir e criar um ritual de relaxamento) para melhorar não só a qualidade do sono, mas também a saúde emocional.