Agricultura

Desafio mobiliza Itaguaçu para revelar biodiversidade pouco conhecida

Itaguaçu, na Região Central Serrana do Espírito Santo, está vivendo uma experiência que une educação ambiental, participação popular e ciência. Até o dia 11 de janeiro, moradores e visitantes podem participar do Desafio de Observação da Natureza, uma iniciativa que incentiva o registro fotográfico de espécies da fauna e da flora locais e ajuda a ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade do município.

A ação é promovida pelo Instituto Últimos Refúgios e integra um projeto maior voltado à formação de clubes de observadores da natureza em escolas. Em Itaguaçu, no entanto, a proposta extrapolou os muros da sala de aula e passou a envolver a comunidade como um todo, convidando qualquer pessoa a observar o ambiente ao seu redor e compartilhar registros de plantas, animais, insetos, fungos e outros elementos naturais encontrados na região.

Os registros são enviados para a plataforma iNaturalist, reconhecida mundialmente por reunir dados de ciência cidadã e colaborar com pesquisas científicas. A escolha de Itaguaçu como palco da iniciativa não foi aleatória. O município apresentava um número muito baixo de espécies catalogadas, apesar de seu potencial ambiental. A ausência de registros não refletia a realidade da natureza local, mas sim a falta de estímulo à observação sistemática.

O projeto teve início com atividades de sensibilização em uma escola municipal, onde o contato direto das crianças com a natureza acabou se tornando um símbolo da proposta. A observação cotidiana de um ninho de sabiá-barranco construído no espaço escolar despertou o interesse dos alunos e fortaleceu o vínculo com o meio ambiente, dando origem a um clube de observadores que passou a atuar de forma organizada.

A experiência foi ampliada com uma saída de campo para uma reserva particular da região, onde os estudantes puderam percorrer trilhas, aprender a escutar os sons da mata e identificar espécies em seu habitat natural. A vivência prática contribuiu para transformar o aprendizado em algo concreto e despertou o olhar atento para detalhes muitas vezes ignorados no dia a dia.

Em pouco tempo, os resultados se tornaram visíveis. O número de espécies registradas em Itaguaçu cresceu de forma significativa, demonstrando que a participação da comunidade é capaz de revelar uma biodiversidade até então pouco documentada. O avanço levou o Instituto Últimos Refúgios a tratar o município como um território estratégico, com potencial para se tornar referência em mobilização comunitária voltada à ciência cidadã.

Além de contribuir para pesquisas e ações de conservação, o desafio também reforça a importância do contato com a natureza para a qualidade de vida. A observação atenta do ambiente natural estimula a curiosidade, promove bem-estar e fortalece o sentimento de pertencimento ao território.

A iniciativa conta com apoio institucional e parcerias locais, somando esforços para aproximar a população da riqueza natural que existe ao seu redor.

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