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Como curtir o Carnaval sem descuidar da saúde

Da ausência de alimentação ao consumo excessivo de álcool, especialistas alertam para riscos comuns e orientam foliões durante o período de festas

Fevereiro é tradicionalmente um mês de muita energia para os brasileiros. O Carnaval movimenta cidades em todo o país com blocos cheios, longas horas em pé, sol intenso, noites mal dormidas e consumo elevado de bebidas alcoólicas. Embora a folia seja sinônimo de alegria e celebração, o período também exige atenção redobrada com a saúde, já que situações como desidratação, alimentação inadequada, exposição excessiva ao sol e cansaço extremo estão entre as principais causas de atendimentos médicos nessa época.

Dados da Prefeitura do Rio de Janeiro, referência nacional na organização da assistência em grandes eventos, apontam que, durante o Carnaval de 2025, foram registradas 3.197 ocorrências de saúde, um aumento de 19% em comparação com 2024. Os atendimentos envolveram, principalmente, casos de mal-estar, desidratação, intoxicação alcoólica, quedas e pequenos traumas. No ano anterior, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, 3.939 pessoas foram atendidas nos blocos de rua e no Sambódromo durante os dias oficiais da festa.

Para ajudar os foliões a aproveitarem o Carnaval sem comprometer o bem-estar, docentes da Estácio no Espírito Santo reforçam cuidados simples, porém essenciais. De acordo com a professora Vanesa Teixeira, coordenadora do curso de Enfermagem do Centro Universitário Estácio de Vitória, muitos problemas poderiam ser evitados com atitudes básicas. “As pessoas costumam esquecer de beber água, se alimentam mal, abusam do álcool e ficam expostas ao sol por longos períodos. Isso pode levar à desidratação, insolação e até quadros de gastroenterite, causados por alimentos contaminados”, explica.

Outro ponto de atenção durante o Carnaval é o aumento do risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Vanesa alerta que relações sexuais sem preservativo se tornam mais frequentes nesse período. “No Espírito Santo, observamos um crescimento significativo nos casos de sífilis, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. O uso do preservativo, masculino ou feminino, continua sendo a principal forma de prevenção. É importante lembrar que nunca devem ser utilizados ao mesmo tempo”, reforça. A orientação é que, após o Carnaval, pessoas que tiveram relações sem camisinha procurem uma unidade de saúde para realizar testes rápidos.

O consumo excessivo de álcool também exige cuidado especial. Além de contribuir para a desidratação, ele pode mascarar sinais importantes de problemas de saúde. Sintomas como tontura persistente, confusão mental, desmaios, vômitos, dor no peito ou convulsões são sinais de alerta e exigem atendimento imediato, conforme destaca a coordenadora do curso de Enfermagem.

Sob o ponto de vista físico, o Carnaval pode ser comparado a uma verdadeira maratona. A professora Roberta Rica, docente do curso de Educação Física da Estácio, explica que o impacto no corpo varia de acordo com o condicionamento físico de cada pessoa. “São horas caminhando, dançando e ficando em pé, muitas vezes em horários em que o corpo estaria acostumado a descansar. Isso gera desgaste físico, dores musculares e fadiga, principalmente para quem não tem preparo”, afirma.

Ela também ressalta que bebidas alcoólicas não substituem a hidratação adequada. “A cerveja não hidrata. O ideal é intercalar: um drink, um copo d’água; uma cerveja, um copo d’água. Hoje existem mochilas e garrafas térmicas que facilitam carregar água gelada, já que sair do bloco para se hidratar muitas vezes não acontece”, orienta.

Em situações de mal-estar, Vanesa Teixeira recomenda levar a pessoa para um local arejado e com sombra e oferecer água, desde que ela esteja consciente. “Em casos de desmaio ou sonolência excessiva, não se deve oferecer líquidos ou alimentos. O correto é deitar a pessoa, evitar aglomerações ao redor e acionar ajuda profissional o quanto antes”, explica. Pequenos cortes e escoriações, comuns em ambientes com grande circulação de pessoas, devem ser lavados com água, mantidos limpos e cobertos com material adequado. Dependendo da gravidade, é fundamental procurar uma unidade de saúde.

Para curtir todos os dias de festa com segurança, Roberta Rica reforça a importância da prevenção. “Beber bastante água, não pular refeições, usar protetor solar, roupas leves e calçados confortáveis, além de planejar pausas para descanso. Conhecer os pontos de atendimento médico próximos aos locais de festa também faz toda a diferença em caso de emergência”, destaca.

Após o Carnaval, a recomendação é respeitar o tempo de recuperação do corpo. “Não é só dormir mais. É garantir sono de qualidade, repouso adequado e um retorno gradual à rotina, o que ajuda a reduzir dores musculares e restabelecer o equilíbrio físico”, finaliza a professora.

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