A escola de samba Chegou o Que Faltava apresentou um desfile marcado por profundidade simbólica, consciência coletiva e maturidade artística no Carnaval capixaba. Com o enredo “Orí – Sua Cabeça é Seu Guia”, a agremiação transformou a passarela do samba em um espaço de reflexão sobre espiritualidade, ancestralidade e as escolhas humanas que moldam a vida cotidiana.
Vestida de azul, rosa e branco, a escola conduziu o público a uma leitura sensível da cosmovisão iorubá, destacando a cabeça como centro do pensamento, da memória, da fé e da identidade. Mais do que um elemento físico, o Orí foi apresentado como guia espiritual e intelectual, conectando passado, presente e futuro.
A bateria, comandada pelos mestres Alcino Júnior e Jorge Borges, sustentou o desfile com força e precisão rítmica, enquanto a rainha Thalita Zampirolli se destacou pela presença cênica e pela sintonia com o tema. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Couti e Amanda Ribeiro, conduziu o pavilhão com elegância e firmeza coreográfica.
O trabalho do carnavalesco Roberto Monteiro deu unidade estética e conceitual à apresentação, reforçando a proposta de unir filosofia, arte e ancestralidade. Três alegorias e alas bem resolvidas ampliaram a narrativa sobre a construção da consciência e da herança cultural deixada às próximas gerações.
Integrantes da escola e do público destacaram o impacto emocional do desfile, que abordou a intelectualidade negra e o protagonismo cultural no Espírito Santo. Sob a presidência de Rafael Siqueira Cavalieri, a Chegou o Que Faltava mostrou crescimento, forte mobilização comunitária e entrou na avenida com discurso, luxo e vontade de conquistar um feito inédito em sua trajetória.




Marcos Salles


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Chegou o Que Faltava, quarta escola do Grupo Especial do Carnaval de Vitória 2026, a desfilar no Sambão do Povo, no segundo dia de desfiles. – Credito: Divulgação/Liesge
Luciene Costa Jornalista Portal Revista Ekletica – revistaekletica@gmail.com