O amanhecer marcou o fim dos desfiles do Carnaval 2026 no Sambão do Povo, e coube à Andaraí fechar a programação com um espetáculo de forte carga simbólica. Última escola a entrar na avenida, a agremiação transformou o clarear do dia em parte do enredo e apresentou um desfile que uniu história, pertencimento e emoção coletiva.
Com o enredo “01/12/1946”, a escola revisitou sua própria trajetória desde a fundação, há quase 80 anos, em uma narrativa que mesclou espiritualidade, ancestralidade e vida comunitária. A proposta artística destacou a origem no território do Mulembá, atual bairro de Santa Martha, valorizando elementos como o futebol de várzea, a batucada, a fé popular e a construção da identidade verde e rosa.
A avenida foi tomada por integrantes visivelmente emocionados. Para muitos, desfilar pela Andaraí representa mais do que carnaval: é vínculo, acolhimento e história de vida. A presença de veteranos do samba ao lado de novos integrantes reforçou o caráter comunitário da escola, marcada pelo trabalho voluntário e pelo envolvimento direto dos moradores.
O público, mesmo após uma longa noite de apresentações, permaneceu atento. Do alto dos camarotes, espectadores destacaram a sensibilidade do enredo e a força simbólica de encerrar o carnaval com uma escola de raiz, que aposta na verdade da comunidade como essência do espetáculo.
Ao transformar sua própria história em narrativa coletiva, a Andaraí encerrou o Carnaval 2026 reafirmando o samba como expressão cultural viva, espaço de memória, resistência e identidade popular. Sob a luz da manhã, a escola deixou a avenida não apenas como última a desfilar, mas como símbolo de um carnaval que nasce do povo e retorna a ele.