Agricultura Geral

Camarão-gigante impulsiona aquicultura no interior do ES

Longe do mar, aquicultura capixaba aposta no camarão-gigante-da-Malásia como alternativa de renda no campo

Quando o assunto é aquicultura no Espírito Santo, o imaginário popular costuma remeter à criação de peixes em tanques ou represas. No interior do Estado, porém, uma atividade ainda pouco conhecida vem ganhando espaço: o cultivo do camarão-gigante-da-Malásia, uma das maiores espécies de camarão de água doce do mundo, criada em viveiros escavados e integrada à rotina das propriedades rurais.

Em 2024, a produção capixaba da espécie alcançou 11,35 toneladas, concentrada em poucos municípios, mas com peso estratégico para a diversificação da aquicultura estadual. O levantamento aponta Governador Lindenberg como o principal polo, responsável por 7,5 mil quilos — o equivalente a 66,1% de toda a produção. Ibiraçu aparece em seguida, com 2,95 mil quilos (26%), enquanto Alfredo Chaves e Marilândia completam o cenário produtivo, com 500 quilos (4,4%) e 400 quilos (3,5%), respectivamente.

Para o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, a criação do camarão-gigante-da-Malásia representa uma oportunidade concreta de fortalecimento da economia rural. “É uma atividade que amplia o leque de opções para o produtor, utiliza de forma eficiente os recursos hídricos e cria novas possibilidades de renda, principalmente para pequenos e médios agricultores. A aquicultura de água doce tem um papel importante na interiorização do desenvolvimento”, ressaltou o secretário.

Conhecido cientificamente como Macrobrachium rosenbergii, o camarão-gigante-da-Malásia se diferencia dos camarões marinhos por ter a fase de engorda em água doce, embora a etapa larval dependa de água salobra. A espécie pode ultrapassar 30 centímetros de comprimento e apresenta bom rendimento de carne, características que agregam valor comercial e despertam interesse tanto do mercado especializado quanto do consumo regional.

Outro atrativo é a adaptação aos viveiros escavados, comuns em áreas rurais, o que facilita a incorporação da atividade em propriedades já estruturadas. O crescimento relativamente rápido e a aceitação gastronômica reforçam o potencial do crustáceo como alternativa produtiva dentro da aquicultura capixaba.

Apesar das vantagens, o cultivo exige cuidados técnicos específicos. A engenheira de pesca da Secretaria da Agricultura, Naessa Martins, destaca a importância do acompanhamento especializado. “Desde a implantação do sistema até a despesca, o monitoramento é essencial. A capacitação do produtor contribui para a adoção de boas práticas, redução de perdas, melhoria do desempenho produtivo e para a correta manipulação do camarão no pós-despesca”, explicou.

Ainda restrita a alguns municípios, a produção do camarão-gigante-da-Malásia revela um lado menos conhecido da aquicultura no Espírito Santo. Distante do litoral, mas conectado à inovação e à diversificação econômica, o cultivo desse crustáceo desponta como símbolo de novas oportunidades para o desenvolvimento sustentável do campo capixaba.

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