Debate em São Mateus destacou os impactos das tensões geopolíticas, da logística e da abertura de novos mercados para o café capixaba
A produção de café conilon está em expansão no Espírito Santo, mas os desafios do setor vão além das lavouras. As tensões internacionais, as relações comerciais entre países e o crescimento da oferta mundial estão entre os fatores que podem influenciar o mercado e os preços do produto. Esses temas foram discutidos durante a Feira Internacional do Café Conilon, em São Mateus, no Norte capixaba.
O assunto foi abordado no painel Geopolítica: por que as tensões globais importam para o agro?, realizado na última quinta-feira (8). O encontro reuniu produtores e profissionais do setor para analisar como os acontecimentos no cenário mundial afetam a produção e a comercialização do café.
Para quem trabalha com produtos voltados à exportação, acompanhar as movimentações internacionais é fundamental. Além do café, a pimenta-do-reino também tem participação importante na atividade econômica regional, e os conflitos internacionais podem gerar preocupações relacionadas à logística e ao transporte das mercadorias.
“São produtos de exportação. Dependemos desses mercados externos para enviar nossos produtos e, com toda essa turbulência, ficamos preocupados com a logística, com as guerras e com essas questões”, destacou um representante do setor.
Filho de produtor rural, Doried Edson acompanha de perto as movimentações do mercado cafeeiro. Segundo ele, a internet e os noticiários são fontes importantes de informação para quem precisa tomar decisões relacionadas à atividade.
O produtor, no entanto, chama a atenção para um possível desequilíbrio entre a oferta e a demanda. Na avaliação dele, o aumento da produção em ritmo superior ao crescimento do consumo pode pressionar os preços do café para baixo.
A preocupação reforça a importância de acompanhar não apenas as condições climáticas e a produtividade das lavouras, mas também o comportamento do mercado consumidor e a evolução da produção mundial.
Conduzido pelo economista José Luiz Niemeyer, o painel também discutiu a posição do Brasil diante das disputas geopolíticas e das relações comerciais entre grandes economias.
Na avaliação do especialista, o país deve evitar concentrar suas relações comerciais em um único parceiro, mesmo diante da relevância de mercados como o dos Estados Unidos.
A estratégia, segundo o economista, passa por manter e ampliar as relações com diferentes regiões, incluindo China, União Europeia e países do Mercosul. A diversificação pode contribuir para reduzir a dependência de mercados específicos e ampliar as oportunidades de negócios para os produtos brasileiros.
O Espírito Santo ocupa posição de destaque na produção brasileira de café conilon, respondendo por cerca de 70% do total nacional, conforme os dados apresentados no encontro.
Diante dessa relevância, ampliar a presença do produto capixaba no mercado internacional foi apontado como um dos caminhos para fortalecer o setor. A proposta envolve não apenas vender mais para os países que já compram o café brasileiro, mas também conquistar novos destinos.
O debate destacou que o comércio exterior ainda representa uma oportunidade de expansão para a produção nacional. Nesse contexto, São Mateus pode buscar alternativas para aumentar o número de países importadores do conilon produzido no município e em outras regiões do Espírito Santo.
A discussão reforçou que a competitividade do café depende de uma combinação de fatores: produtividade, equilíbrio entre oferta e demanda, eficiência logística, relações comerciais e capacidade de alcançar novos consumidores.
A Feira Internacional do Café Conilon reúne mais de 80 expositores em São Mateus e tem entrada gratuita. A programação segue até sábado (10), com atividades voltadas ao setor cafeeiro e oportunidades de aproximação entre produtores, e