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Experiência, segurança e desenvolvimento marcam debate sobre o futuro do Espírito Santo

Ricardo Ferraço defende continuidade dos investimentos e aperfeiçoamento da gestão estadual, enquanto Lorenzo Pazolini questiona resultados e apresenta propostas de mudança em áreas como saúde, educação e segurança pública

O futuro do Espírito Santo esteve no centro do debate entre Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos), realizado pela TV Gazeta na quinta-feira (22). No confronto do segundo turno das eleições para o Governo do Estado, os candidatos discutiram segurança pública, violência contra a mulher, saúde, educação, economia, reforma tributária, infraestrutura e assistência social.

Ao longo do encontro, Ricardo Ferraço procurou sustentar sua candidatura na experiência administrativa, na capacidade de investimento do Estado e na continuidade das políticas públicas. O candidato defendeu o aperfeiçoamento das ações em andamento e a aceleração das entregas, argumentando que o Espírito Santo precisa preservar os avanços alcançados e ampliar os resultados para a população.

Lorenzo Pazolini, por sua vez, concentrou parte de suas intervenções em críticas à administração estadual, questionando indicadores e defendendo mudanças na condução do governo. O prefeito de Vitória apresentou experiências de sua gestão municipal como referência para propostas que pretende levar ao âmbito estadual.

O debate evidenciou duas perspectivas para os próximos anos: de um lado, Ferraço defendeu a continuidade com aperfeiçoamento e planejamento; de outro, Pazolini insistiu na necessidade de mudanças e cobrou respostas para problemas que ainda afetam os capixabas.

 

A segurança pública foi um dos temas mais intensos do debate. Lorenzo Pazolini questionou a presença de facções criminosas em áreas vulneráveis e levantou preocupações sobre o efetivo das forças policiais e a proteção das comunidades.

Ricardo Ferraço rebateu as críticas destacando a contratação de aproximadamente 8,4 mil profissionais para as forças de segurança, número apresentado por ele durante o encontro. O candidato ressaltou investimentos em tecnologia, videomonitoramento, reconhecimento facial e integração das instituições responsáveis pelo enfrentamento à criminalidade.

Para sustentar sua avaliação, Ferraço citou a redução da taxa de homicídios no Espírito Santo. Segundo os números apresentados pelo candidato, o Estado chegou a registrar 58 homicídios por 100 mil habitantes e encerrou 2025 com uma taxa de 19 por 100 mil. Ele também afirmou que o primeiro semestre de 2026 apresentou a menor taxa de homicídios dos últimos 30 anos.

Na avaliação de Ferraço, os indicadores refletem um trabalho contínuo de planejamento, investimento e fortalecimento das forças de segurança. O candidato defendeu que a redução da violência exige ações permanentes, valorização dos profissionais e uso de inteligência no combate ao crime.

Pazolini contestou a avaliação e apontou questões relacionadas ao efetivo policial. Também defendeu maior integração entre as polícias e as guardas municipais, argumentando que a cooperação entre as instituições precisa ser ampliada.

A discussão avançou para as atribuições das guardas municipais e das polícias estaduais. Ferraço sustentou que o enfrentamento às organizações criminosas depende de investigação, policiamento e atuação coordenada das forças de segurança, enquanto Pazolini defendeu maior participação das guardas na proteção das comunidades.

 

A proteção às mulheres foi outro dos principais pontos de divergência entre Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini. Os candidatos discutiram os indicadores de feminicídio e as estratégias necessárias para prevenir a violência doméstica.

Pazolini criticou os resultados estaduais e defendeu uma gestão integrada da segurança pública, com maior articulação entre as instituições. Durante o debate, afirmou que Vitória permaneceu 653 dias sem registro de feminicídio durante sua administração municipal, resultado que atribuiu ao planejamento e à integração das forças de segurança.

Ferraço reconheceu a gravidade da violência contra as mulheres e afirmou que o enfrentamento precisa envolver o poder público e a sociedade. O candidato citou estruturas estaduais de acolhimento e atendimento, como a Casa Abrigo, os Centros Margaridas e as delegacias com salas especializadas para atendimento às vítimas.

Ele também defendeu ampliar o funcionamento das delegacias para atendimento 24 horas, como parte do fortalecimento da rede de proteção.

Embora tenham apresentado interpretações diferentes dos indicadores, os dois candidatos reconheceram a necessidade de enfrentar o problema. Ferraço enfatizou a importância de manter e ampliar as políticas públicas de acolhimento, enquanto Pazolini defendeu levar ao Estado iniciativas desenvolvidas em Vitória.

 

Na saúde, Ricardo Ferraço defendeu a continuidade dos investimentos estaduais e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O candidato destacou a presença do Samu 192 nos 78 municípios capixabas, o uso da telemedicina e a ampliação da estrutura hospitalar.

Entre as obras e iniciativas mencionadas por Ferraço estão o Hospital Geral de Cariacica, o Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, além de projetos relacionados à estrutura hospitalar de Colatina e ao atendimento oncológico no Sul do Estado.

Para o candidato do MDB, a regionalização da assistência é fundamental para aproximar os serviços da população e reduzir a necessidade de deslocamentos em busca de atendimento. Ferraço também defendeu parcerias com instituições filantrópicas e prestadores privados como forma de ampliar a oferta de consultas, exames e procedimentos.

Lorenzo Pazolini questionou o tamanho das filas da rede estadual. Durante o debate, citou aproximadamente 417 mil pessoas à espera de consultas, exames e procedimentos especializados e mencionou casos em que a espera ultrapassaria 348 dias.

Ferraço reconheceu o desafio e argumentou que a redução das filas depende de investimentos, ampliação da capacidade de atendimento, tecnologia e planejamento. Também criticou a gestão municipal de Pazolini por não ter concluído uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) durante boa parte do período em que esteve à frente da Prefeitura de Vitória.

Pazolini respondeu que a primeira UPA da capital está em construção e defendeu os resultados de sua administração. Os candidatos também divergiram sobre a contratação de serviços e a participação de instituições privadas na rede pública.

Enquanto Ferraço defendeu o fortalecimento do SUS por meio de investimentos e parcerias, Pazolini questionou o modelo estadual e apresentou críticas à capacidade de atendimento da rede.

 

A educação também ocupou espaço importante no confronto. Ricardo Ferraço defendeu a continuidade da expansão do ensino em tempo integral e afirmou que pretende ampliar o diálogo sobre a remuneração dos professores.

O candidato destacou a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos profissionais e avançar na qualidade da educação estadual. Em sua avaliação, o planejamento e a continuidade das políticas públicas são fundamentais para consolidar resultados e ampliar oportunidades para os estudantes.

Lorenzo Pazolini apresentou a experiência da rede municipal de Vitória, ressaltando iniciativas de ensino em tempo integral e defendendo a ampliação de vagas em creches por meio de parcerias com os municípios.

Os dois candidatos buscaram apresentar suas experiências como referência para o futuro da educação capixaba. Ferraço enfatizou a dimensão estadual das políticas e a continuidade dos investimentos, enquanto Pazolini procurou destacar iniciativas desenvolvidas na capital.

 

A reforma tributária nacional provocou divergências sobre os possíveis impactos na arrecadação e na capacidade de investimento do Espírito Santo.

Ricardo Ferraço afirmou que o Estado reúne condições para enfrentar as mudanças, citando a organização fiscal, o planejamento e os investimentos em infraestrutura. Defendeu o diálogo com o setor produtivo e o acompanhamento técnico para preservar a competitividade capixaba durante a transição.

Lorenzo Pazolini questionou a avaliação do governo estadual sobre os efeitos da reforma e cobrou medidas para proteger as receitas públicas. O tema gerou um confronto sobre a dimensão dos possíveis impactos e sobre a preparação do Estado para as mudanças.

Ferraço sustentou que o Espírito Santo tem condições de continuar crescendo e investindo. Para isso, apontou a importância de fortalecer a infraestrutura, atrair empresas e ampliar as oportunidades de trabalho em diferentes regiões.

O candidato também destacou iniciativas logísticas em Aracruz e no Sul capixaba, defendendo a distribuição dos investimentos e o desenvolvimento para além da Grande Vitória.

Pazolini, por sua vez, cobrou maior clareza sobre as medidas para enfrentar os possíveis efeitos da reforma tributária. A divergência mostrou que a condução da política econômica será um dos pontos centrais na avaliação dos projetos apresentados aos eleitores.

 

O papel do Banestes no desenvolvimento estadual também entrou na discussão. Ricardo Ferraço defendeu a manutenção do banco público como instrumento de financiamento e apoio às atividades produtivas nos 78 municípios.

Na avaliação do candidato, a instituição pode contribuir para fortalecer a economia local e ampliar o acesso a oportunidades. Ferraço também criticou decisões da gestão municipal de Vitória relacionadas à contratação de serviços e à folha de pagamento, utilizando esses pontos para questionar o modelo administrativo de Pazolini.

O candidato do Republicanos contestou as críticas e defendeu sua atuação à frente da capital. O confronto refletiu visões diferentes sobre a participação do poder público na economia e na prestação de serviços.

 

A infraestrutura foi apresentada por Ferraço como um dos pilares para manter o crescimento econômico do Espírito Santo. O candidato destacou investimentos e projetos logísticos voltados à atração de empresas, à geração de empregos e ao fortalecimento das economias regionais.

Entre as iniciativas citadas estão projetos na região de Aracruz e no Sul do Estado. Ferraço argumentou que a ampliação da infraestrutura aumenta a competitividade e cria condições para distribuir oportunidades por diferentes municípios.

Pazolini questionou a distribuição dos investimentos e defendeu maior atenção a áreas que, em sua avaliação, precisam de avanços. Ferraço rebateu sustentando que a estratégia estadual contempla diferentes regiões e busca ampliar a capacidade de desenvolvimento do território capixaba.

 

A situação da população em situação de rua também esteve entre os assuntos discutidos. Ricardo Ferraço defendeu a cooperação entre o governo estadual e as prefeituras para enfrentar a vulnerabilidade social e ampliar o atendimento às pessoas que precisam de acolhimento.

O candidato criticou dificuldades de articulação com a administração municipal de Vitória e afirmou que problemas dessa natureza exigem diálogo institucional e planejamento conjunto.

Lorenzo Pazolini, por sua vez, destacou os serviços de acolhimento oferecidos pela capital e defendeu as ações desenvolvidas durante sua gestão.

A discussão reforçou a importância da colaboração entre Estado e municípios para enfrentar desafios sociais que exigem políticas integradas e continuidade no atendimento.

 

Ao falar sobre as prioridades de um eventual novo mandato, Ricardo Ferraço afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho desde o primeiro dia, com foco na redução da criminalidade, na ampliação dos serviços de saúde, na conclusão de obras e no diálogo sobre a valorização dos professores.

Sua proposta foi apresentada como continuidade com aperfeiçoamento: preservar o que considera avanços da administração estadual e acelerar as entregas nas áreas em que a população ainda enfrenta dificuldades.

Lorenzo Pazolini defendeu uma mudança na condução do governo, utilizando sua experiência como prefeito de Vitória para apresentar propostas nas áreas de saúde, educação, segurança e qualidade de vida.

Nas considerações finais, Ferraço pediu aos eleitores que comparassem os dois projetos. O candidato destacou sua trajetória na vida pública, o conhecimento da estrutura estadual e a capacidade de articulação como elementos importantes para conduzir o Espírito Santo nos próximos anos.

Pazolini também agradeceu a oportunidade de participar do debate e defendeu sua candidatura como alternativa para promover mudanças e ampliar as políticas sociais.

 

O confronto entre Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini colocou em evidência diferenças sobre a condução do Estado. Ferraço procurou demonstrar que a experiência administrativa, o planejamento e a continuidade dos investimentos podem sustentar novos avanços. Pazolini concentrou suas intervenções em críticas aos resultados da gestão estadual e na defesa de mudanças.

Os dois candidatos abordaram desafios importantes, especialmente na saúde, na segurança pública e na proteção às mulheres. A diferença esteve na avaliação dos resultados alcançados e nas estratégias propostas para os próximos anos.

Ao defender a continuidade com aperfeiçoamento, Ferraço apresentou a ideia de preservar a capacidade de investimento do Espírito Santo, fortalecer os serviços públicos e acelerar o desenvolvimento regional. Pazolini sustentou que uma nova condução administrativa poderia oferecer respostas diferentes aos problemas apontados.

A escolha dos eleitores passa pela comparação das propostas, das experiências e da capacidade de transformar compromissos em resultados concretos para a população capixaba.

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