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Museu Vale reúne arte contemporânea

Teatro e humor em programação gratuita na Ufes

9ª edição dos Encontros com a Arte Contemporânea reúne artistas de diferentes linguagens em Vitória, com debates, feira de arte indígena e espetáculo teatral

O Museu Vale promove, no dia 13 de outubro, a 9ª edição dos Encontros com a Arte Contemporânea, no Teatro Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória. Com entrada gratuita, a programação reúne artistas de diferentes gerações e linguagens para um dia de conversas, reflexões e experiências artísticas, das 10h às 21h30.

Com o tema “Procuro-me: memória, presença e palavra”, o evento contará com a participação da artista visual Lenora de Barros, do desenhista Pedro Vinicio, do ator, roteirista e cartunista Daniel Furlan, da artista capixaba Kika Carvalho e do artista plástico Mulambö. O encerramento será marcado pelo espetáculo teatral Escute as Feras, protagonizado por Maria Manoella, com direção musical e trilha sonora executada ao vivo pelo guitarrista Lúcio Maia.

A iniciativa é voltada a estudantes, professores, artistas e ao público interessado em arte e cultura. A proposta é aproximar os visitantes dos processos criativos dos convidados, estimulando o diálogo sobre identidade, memória, linguagem, imagem e humor. A programação inclui ainda uma Feira de Arte Indígena e uma seleção de títulos da Livraria Iça-Iça, no saguão do teatro.

Com curadoria de Omar Salomão e Claudia Afonso, diretora do Museu Vale, esta edição parte de questionamentos sobre a maneira como as pessoas se reconhecem, constroem suas identidades e se relacionam com o tempo em que vivem.

A inspiração para o tema veio da obra Procuro-me, de Lenora de Barros. No trabalho, a artista aparece em fotografias com diferentes perucas e expressões, reunidas em um cartaz que remete aos anúncios de pessoas desaparecidas. Em vez de procurar outra pessoa, porém, a mensagem propõe uma busca por si mesma, levantando questões sobre representação, identidade e transformação.

Segundo a diretora do Museu Vale, Claudia Afonso, os encontros oferecem ao público a oportunidade de conhecer de perto os artistas e as questões que orientam suas produções, em um ambiente aberto à participação e à troca de ideias.

A programação foi organizada para explorar essas reflexões a partir de diferentes perspectivas, passando pelas artes visuais, pela palavra escrita, pelo humor e pelas artes cênicas.

Programação

10h às 12h — Escritas do tempo

A programação começa com a mesa “Escritas do tempo”, reunindo os artistas Kika Carvalho e Mulambö, com mediação de Isabela Baltazar. A conversa aborda como os artistas trabalham com a construção e a preservação de memórias por meio da criação artística.

14h às 15h30 — Trajetória

A artista visual Lenora de Barros participa de uma conversa mediada por Omar Salomão sobre sua trajetória de quase cinco décadas. Sua produção transita entre texto, fotografia, vídeo e voz, explorando as relações entre palavras, imagens e silêncios.

17h — Mantendo o caos e a ordem

O humor e o processo criativo estarão em destaque no encontro entre Pedro Vinicio e Daniel Furlan, com mediação de Flavia Dalla Bernardina. A mesa, intitulada “Mantendo o caos e a ordem / Mantendo o caos em ordem / Mantendo em ordem o caos”, propõe uma discussão sobre as relações entre arte e vida, imagem e texto, humor e existência.

Daniel Furlan é conhecido por trabalhos como Choque de Cultura e Falha de Cobertura. Pedro Vinicio, por sua vez, ganhou projeção nas redes sociais com seus desenhos e sua linguagem bem-humorada.

20h — Espetáculo “Escute as Feras”

O encerramento será com a peça Escute as Feras, adaptação teatral do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin. O espetáculo tem Maria Manoella como protagonista e conta com direção musical e trilha executada ao vivo por Lúcio Maia.

A montagem aborda questões relacionadas à fragilidade humana e às fronteiras entre corpo, identidade e natureza. Após a apresentação, haverá uma conversa com a artista. Ao longo do evento, a apresentação da programação ficará a cargo de Matysha Matielo.

Além dos encontros, o Museu Vale também ocupa a universidade com a exposição Passagem, em cartaz na Galeria de Arte Espaço Universitário (Gaeu) até 30 de outubro.

Realizada em parceria com a Ufes, a mostra reúne artistas selecionados pelo Edital Convocatória de Programação Museu Vale 2026 e convidados da cena artística capixaba. Com curadoria de Isabella Baltazar, a exposição apresenta trabalhos em desenho, fotografia, instalação, vídeo, performance e escultura, aproximando diferentes pesquisas e trajetórias da arte contemporânea produzida no Espírito Santo.

Em sua fase extramuros, o Museu Vale desenvolve atividades em praças, parques, escolas e instituições culturais, ampliando o acesso à arte e aos programas educativos em diferentes municípios capixabas.

A instituição mantém ações voltadas à preservação da memória cultural, à pesquisa, à educação, à comunicação e à formação de público, em diálogo com a produção artística do estado.

Entre as iniciativas em andamento está a exposição IMAGINALIVRE!, do coletivo OPAVIVARÁ!, apresentada no Parque Cultural Casa do Governador, em Vila Velha, e também no Parque Botânico Vale e no Parque Costeiro Vale, em Vitória. A mostra propõe experiências de convivência, encontro e experimentação por meio da arte.

Outras exposições realizadas pelo Museu Vale incluem Línguas Africanas que fazem o Brasil, Quebra-mapa, Quem Tem Medo de Bicho Pau?, Vidas em Cordel, Transitar o Tempo, Folhear e O Extraordinário Universo de Leonardo Da Vinci. Em conjunto, as mostras desenvolvidas pela instituição reuniram cerca de 260 mil visitantes, segundo informações do Museu.

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