Exposição no Mucane aborda afrofuturismo, afeto, liberdade e novas perspectivas sobre o futuro; programação inclui visitas mediadas e lançamento de catálogo no Dia da Consciência Negra.
A fotografia como instrumento de expressão, representatividade e imaginação de novos futuros é o ponto de partida da Mostra Turmalina de Mulheres Negras na Fotografia, que será realizada de 20 de outubro a 20 de novembro de 2026, no Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane), no Centro de Vitória. A entrada é gratuita, e a classificação indicativa é livre.
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Com obras de 12 artistas selecionadas por meio de chamada pública gratuita, a exposição propõe ampliar a visibilidade da produção fotográfica de mulheres negras e apresentar ao público diferentes experiências, linguagens e perspectivas artísticas. A mostra tem curadoria de Taynara Barreto e Tamara dos Santos e utiliza o afrofuturismo como uma de suas principais referências.
A iniciativa conta com patrocínio master da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e é realizada pela JUPTER – Entretenimento, Comunicação e Cultura Ltda. e pelo Ministério da Cultura.
A proposta da mostra é ampliar as possibilidades de representação de pessoas negras na arte contemporânea. Além de questões historicamente associadas à violência, à discriminação e à denúncia social, a exposição abre espaço para temas como afeto, sonho, desejo, liberdade e imaginação.
A partir do afrofuturismo, movimento que propõe pensar o futuro sob perspectivas negras, as obras convidam o público a conhecer outras narrativas e a refletir sobre as possibilidades de criação de novos imaginários.
Foram selecionadas as artistas Ana Luzes, Analis Moreno, Georgia Niara, Izabelle Brum, Mariane Nunes, Pritty Reis, Rana Mariwo, SEREIANO, Transmutar./Maria Avila, Uenni, Vitória Carvalho e Vitória Trajano.
A diversidade de trajetórias também se destaca no perfil das participantes. Segundo dados autodeclarados pelas fotógrafas em formulário do projeto, 75% se reconhecem como integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, enquanto 83,3% afirmam viver em regiões periféricas ou no interior. As regiões Norte e Nordeste reúnem, juntas, 41,7% das artistas selecionadas.
A participação de fotógrafas de diferentes regiões brasileiras contribui para ampliar a circulação dessas produções e aproximar o público capixaba de experiências culturais e referências que nem sempre encontram espaço nos circuitos tradicionais de exposição.
O projeto prevê bolsas de participação para as fotógrafas, além da produção das obras destinadas à exposição. Os trabalhos serão apresentados com impressões fine art, molduraria, cenografia e montagem especializada, recursos planejados para valorizar as imagens e proporcionar uma experiência de visitação qualificada.
A programação também inclui monitoria para visitantes, com atenção especial a estudantes e professores da rede pública de ensino. A atividade será conduzida por uma formanda em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), estimulando a observação das fotografias, a interpretação das imagens e o diálogo sobre os temas e as escolhas estéticas das artistas.
Grupos e escolas interessados em visitar a exposição podem realizar agendamento pelo e-mail educativo.mucane@gmail.com.
A iniciativa prevê ainda audiodescrição e outros recursos de acessibilidade, com o objetivo de ampliar o acesso do público aos conteúdos apresentados.
O encerramento da mostra será marcado pelo lançamento de um catálogo impresso e digital acessível, no dia 20 de novembro, às 14h, no Mucane. A data coincide com o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
O encontro contará com a presença das curadoras, das artistas participantes e da equipe do museu. A publicação reunirá registros da exposição e contribuirá para ampliar a circulação e a memória da produção artística apresentada pelo projeto.
Segundo Lucilene Dias, produtora executiva da etapa expositiva do Festival Turmalina, a estrutura da mostra foi planejada para valorizar tanto o trabalho das artistas quanto a experiência dos visitantes.
A proposta, de acordo com a produtora, é oferecer condições adequadas para a apresentação das pesquisas fotográficas e aproximar o público de uma produção negra que também aborda sonhos, possibilidades e perspectivas de futuro. A realização foi viabilizada por meio da Lei Rouanet e do patrocínio master da Vale.
A mostra fotográfica integra a programação do Festival Turmalina, iniciativa criada para celebrar e ampliar o protagonismo de mulheres negras por meio da cultura, da formação e da ocupação de espaços.
A primeira etapa do festival foi realizada em julho de 2026, no Cais das Artes, em Vitória, com lotação máxima. Na ocasião, o evento arrecadou aproximadamente 4,5 mil pacotes de absorventes higiênicos, o equivalente a mais de 50 mil unidades.