Comportamento Saúde

Longevidade começa antes da velhice. Conheça os hábitos simples podem fazer diferença ao longo dos anos

Aos 83 anos, Mick Jagger continua subindo aos palcos e mantendo uma rotina de exercícios que inclui academia, dança e corrida. O vocalista dos Rolling Stones revelou que treina cinco ou seis vezes por semana, alternando diferentes atividades para desenvolver resistência e sustentar o ritmo das apresentações. A alimentação também faz parte dessa rotina, com frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fontes de proteína como peixe e frango.

A rotina do cantor chama atenção, mas também coloca em evidência uma questão cada vez mais presente nas discussões sobre saúde: o que é possível fazer hoje para chegar à terceira idade com autonomia, disposição e qualidade de vida?

Publicações da Harvard Health Publishing apontam que a longevidade está relacionada a um conjunto de comportamentos cotidianos. Movimento, alimentação adequada, sono, controle do estresse e conexão social aparecem entre os principais pilares associados ao envelhecimento saudável. A recomendação não está necessariamente em adotar uma rotina de atleta, mas em construir hábitos que possam ser mantidos por muitos anos.

Para a médica de família da Bluzz Saúde, Dra. Jetele Piana, esse olhar é importante porque envelhecer com saúde começa muito antes dos 60 ou 70 anos.

“Quando falamos em longevidade, não estamos falando apenas em viver mais. O objetivo é chegar às diferentes fases da vida mantendo autonomia, funcionalidade e qualidade de vida. E isso é construído diariamente, por meio de escolhas possíveis e consistentes, não de mudanças radicais que dificilmente conseguimos sustentar.”

A atividade física é um dos pontos de destaque. De acordo com a Harvard Health, movimentar o corpo regularmente está associado a benefícios que alcançam diferentes sistemas, incluindo saúde cardiovascular, metabolismo, cérebro e ossos. A orientação atual também valoriza a combinação de atividades aeróbicas, exercícios de força e movimento no dia a dia.

Isso significa que a busca por uma vida mais ativa não precisa começar com treinos de alta intensidade. Caminhar, subir escadas, cuidar do jardim, pedalar, dançar ou realizar exercícios de fortalecimento também podem fazer parte de uma rotina de movimento.

“A atividade física precisa fazer sentido para a pessoa e estar inserida na rotina. Não adianta escolher uma modalidade extremamente difícil de manter. Para algumas pessoas será caminhada, para outras dança, musculação, natação ou bicicleta. O mais importante é reduzir o sedentarismo e encontrar uma forma de movimento que seja segura, prazerosa e sustentável.”

A alimentação também ocupa papel central. A orientação de Harvard é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, variedade de frutas e vegetais, fibras e fontes adequadas de proteína, reduzindo o consumo de alimentos ultraprocessados. Com o avanço da idade, a atenção à ingestão de proteínas ganha ainda mais importância por sua relação com a manutenção da massa muscular.

Outro ponto que muitas vezes fica em segundo plano é o sono. Dormir bem participa de processos importantes para o organismo, como memória, regulação hormonal, recuperação física e equilíbrio metabólico. A recomendação para adultos costuma ficar em torno de sete a nove horas por noite, embora as necessidades individuais possam variar.

A longevidade também passa por aspectos que não aparecem necessariamente em uma academia ou no prato. Socializar, cultivar vínculos, manter atividades que proporcionem prazer e ter uma perspectiva positiva sobre a vida estão entre os fatores associados ao envelhecimento saudável. A própria Harvard destaca a conexão social como um dos pilares da longevidade, relacionando bons vínculos a benefícios para a saúde física e mental.

“Cuidar da saúde não significa olhar apenas para exames e doenças. Relações sociais, sono, saúde emocional, alimentação e atividade física fazem parte desse cuidado. Muitas vezes, pequenas mudanças feitas de maneira contínua têm um impacto muito maior do que uma grande mudança que dura apenas algumas semanas.”

Há ainda recomendações básicas que continuam atuais: não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, manter uma boa hidratação e realizar acompanhamento médico periódico. A ideia é identificar fatores de risco precocemente e acompanhar as mudanças que acontecem naturalmente com o passar dos anos.

Nesse sentido, o exemplo de Mick Jagger pode ser inspirador, mas não precisa ser reproduzido literalmente. Poucas pessoas precisam correr quilômetros ou treinar seis dias por semana para cuidar da saúde. O ponto principal é entender que longevidade é resultado de um conjunto de escolhas e que cada pessoa precisa encontrar uma rotina compatível com sua idade, suas condições de saúde e sua realidade.

“Não precisamos comparar nossa rotina com a de uma pessoa de 83 anos que é artista e precisa ter um alto nível de condicionamento para se apresentar. O mais importante é entender o princípio por trás disso: manter-se ativo, alimentar-se bem, dormir adequadamente, cuidar da saúde emocional e preservar os vínculos sociais. São atitudes simples, mas que, quando incorporadas ao longo da vida, podem contribuir para um envelhecimento mais saudável.”

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