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Vitória entra na roda de samba feminina

Encontro acontece no Mercado da Capixaba e integra mobilização nacional e internacional que celebra a presença feminina no samba

O samba vai ocupar o Centro de Vitória no dia 26 de setembro. A capital capixaba está entre as 30 cidades do Brasil e do exterior que participarão, no mesmo dia, da 9ª edição do Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba. Por aqui, a programação será realizada a partir das 14h, no Mercado da Capixaba, com entrada gratuita.

A iniciativa reúne mulheres de diferentes territórios em uma celebração que vai além da música. O encontro propõe uma grande conexão entre artistas, público e memória cultural, colocando em evidência mulheres que ajudaram a construir a história do samba e outras que hoje mantêm essa tradição viva.

Em Vitória, quem conduz a programação é o movimento Mulheres na Roda de Samba Vix, que participa da mobilização desde 2019. A formação capixaba reúne cantoras e instrumentistas que já desenvolviam seus trabalhos em diferentes grupos e projetos musicais e encontraram na roda um espaço coletivo para fortalecer a presença feminina no gênero.

A edição de 2026 terá como homenageadas Zezé Motta e Jovelina Pérola Negra, duas artistas que construíram trajetórias marcantes na cultura brasileira.

Jovelina Pérola Negra chegou ao reconhecimento artístico depois de uma trajetória marcada pelo trabalho e pela maternidade. Antes de se tornar um dos grandes nomes do samba, trabalhou como empregada doméstica. Sua voz ganhou projeção posteriormente, levando-a aos discos e aos palcos.

Zezé Motta, por sua vez, tornou-se referência principalmente por sua atuação no cinema, na televisão e no teatro, mas também desenvolveu uma importante carreira como cantora, com discos gravados e apresentações musicais.

A escolha das homenageadas também reforça uma característica do encontro: recuperar histórias e trajetórias femininas que nem sempre receberam o devido reconhecimento. Ao colocar essas artistas no centro da roda, a iniciativa cria uma ponte entre diferentes gerações de sambistas.

Para Bruna Medeiros, coordenadora do movimento capixaba, a homenagem tem também um significado de continuidade.

“A gente está continuando o caminho, o legado das grandes damas, mas também está construindo o nosso caminho. Isso precisa ser representado e perpetuado, para que as novas gerações saibam de onde viemos e reconheçam o lugar que também podem ocupar.”

A programação em Vitória foi pensada para transformar o Mercado da Capixaba em um ponto de encontro entre música, cultura e convivência.

Entre as atrações estão DJs mulheres, uma apresentação do Grupo de Capoeira Beribazu, uma banda latina formada por mulheres e a tradicional roda do Mulheres na Roda de Samba Vix.

A agenda também terá uma novidade: o lançamento da Roda de Samba-Enredo Feminino, projeto formado exclusivamente por mulheres. A proposta amplia a participação feminina em uma área historicamente associada às grandes agremiações carnavalescas.

O público também poderá encontrar um espaço kids, permitindo que famílias acompanhem a programação.

O encontro nasceu em 2018, a partir de uma iniciativa da cantora e compositora carioca Dorina, com a proposta de reunir mulheres que fazem samba e ampliar a visibilidade dessas artistas.

Ao longo dos anos, a mobilização cresceu e passou a conectar rodas realizadas simultaneamente em diferentes cidades. Vitória entrou nesse circuito em 2019 e, desde então, passou a integrar a celebração que reúne sambistas em torno de uma mesma data.

A cada edição, o movimento também constrói uma espécie de memória afetiva do samba feminino. Entre as homenageadas de anos anteriores estão Beth Carvalho, Leci Brandão, Elza Soares, Alcione, Tia Surica, Teresa Cristina, Áurea Martins e Nilze Carvalho.

A escolha do local para a roda deste ano não aconteceu por acaso.

O Mercado da Capixaba, no Centro de Vitória, completa 100 anos de história em setembro, tornando-se também personagem da programação. O espaço carrega uma trajetória ligada à vida cotidiana, ao comércio e à memória da capital.

Ao levar a roda para um endereço centenário, as sambistas aproximam duas histórias: a de um espaço que atravessou gerações e a de uma manifestação cultural que também se mantém viva justamente por ser transmitida de geração em geração.

Assim, no dia 26 de setembro, Vitória terá uma roda que pretende celebrar não apenas o samba, mas também a memória, a ancestralidade e o espaço conquistado pelas mulheres na música brasileira.

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