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EDP lança Plano Verão 2026/2027 com reforço de equipes e tecnologia para enfrentar eventos climáticos no ES

Companhia prevê investimento de R$ 5 bilhões até 2030 e prepara operação para um verão marcado por calor intenso, chuvas irregulares e possibilidade de eventos climáticos extremos

A EDP lançou nesta quinta-feira (3) o Plano Verão 2026/2027, com uma série de medidas para reforçar a segurança, a resiliência e a agilidade no atendimento aos consumidores do Espírito Santo durante o período de maior demanda por energia e diante da previsão de eventos climáticos mais intensos.

A apresentação ocorreu no Centro de Operação Integrado (COI) da EDP, em Carapina, na Serra, e reuniu representantes da companhia, da Defesa Civil Estadual, do poder público e do Climatempo. Participaram do encontro o diretor-presidente de Distribuição da EDP, Diógenes Rosi; o diretor da EDP no Espírito Santo, Marcos Campos; o chefe da Defesa Civil Estadual, coronel BM Benício Ferrari Junior; e o representante do Climatempo, Pedro Regoto O prefeito da Serra, Weverson Meireles também participou do evento.

Durante a coletiva, foram apresentadas as perspectivas meteorológicas para os próximos meses e as estratégias adotadas pela distribuidora para reduzir os impactos de tempestades, ventos fortes, descargas atmosféricas e ondas de calor sobre a rede elétrica.

De acordo com o especialista do Climatempo Pedro Regoto, o Espírito Santo deve enfrentar nos próximos meses um cenário de temperaturas acima da média e maior irregularidade das chuvas.

A previsão indica chuvas acima da normalidade em setembro e outubro, enquanto novembro e dezembro devem apresentar um período relativamente mais seco, acompanhado de temperaturas elevadas e maior possibilidade de ondas de calor.

Para janeiro e fevereiro de 2027, a expectativa é de retorno de chuvas mais intensas. Já março deve apresentar uma redução relativa dos volumes de precipitação.

O cenário está relacionado à atuação do fenômeno El Niño, que, segundo Regoto, apresenta possibilidade de atingir uma intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

“Quando a chuva acontece, ela pode acontecer com maior intensidade”, explicou o especialista, destacando que episódios de precipitação concentrados em períodos curtos aumentam os riscos de alagamentos, enchentes e impactos sobre a infraestrutura.

Além das chuvas, o calor também é considerado um fator de atenção para o setor elétrico, principalmente pelo aumento do consumo provocado pelo uso de equipamentos como aparelhos de ar-condicionado.

Para enfrentar possíveis ocorrências, a EDP informou que poderá aumentar em até sete vezes o número de equipes mobilizadas, em comparação com uma operação normal.

As equipes são multidisciplinares e podem ser deslocadas de atividades de construção e manutenção para o atendimento emergencial durante eventos climáticos severos.

Segundo Diógenes Rosi, a preparação começa antes da ocorrência. A companhia utiliza informações meteorológicas para antecipar o posicionamento dos profissionais nas regiões onde há previsão de eventos extremos.

A empresa também mantém parceria com o Climatempo para receber boletins e projeções que ajudam no planejamento das ações.

A EDP prevê investir R$ 5 bilhões na rede elétrica entre 2025 e 2030, valor que representa cerca de 40% a mais do que os investimentos realizados no período anterior.

Os recursos serão destinados à ampliação e modernização da infraestrutura, instalação de novas subestações, automação da rede e adoção de tecnologias que permitam respostas mais rápidas em situações de emergência.

O diretor da EDP no Espírito Santo, Marcos Campos, destacou que o crescimento da demanda por energia aumenta a responsabilidade da companhia.

Atualmente, a empresa atende 70 municípios, possui cerca de 70 mil quilômetros de rede de distribuição, aproximadamente 1,8 milhão de clientes e 117 subestações.

A empresa também informou que, em 2025, investiu cerca de R$ 843 milhões no Espírito Santo.

Um dos principais investimentos apresentados durante a coletiva está relacionado à automação da rede elétrica.

A EDP possui equipamentos capazes de identificar falhas, isolar automaticamente o trecho afetado e restabelecer o fornecimento para parte dos consumidores que não foram atingidos diretamente pelo problema.

A companhia informou que possui atualmente cerca de 2.720 equipamentos de automação, instalados desde 2019, beneficiando aproximadamente 80% dos clientes.

Em uma ocorrência envolvendo, por exemplo, 10 mil consumidores, a tecnologia pode permitir que cerca de 40% deles tenham o fornecimento restabelecido automaticamente em poucos minutos, enquanto as equipes de campo trabalham para solucionar o problema no trecho afetado.

A empresa também mantém uma rede própria de telecomunicações, com aproximadamente 998 quilômetros de fibra óptica e 140 sites de telecomunicação, garantindo comunicação entre os equipamentos da rede e o Centro de Operação Integrado.

Para acelerar o atendimento durante as contingências, a EDP informou que possui 20 centros de distribuição espalhados pelo Espírito Santo, além de 71 bases avançadas, com equipes distribuídas pelo território estadual.

A estrutura permite reduzir o tempo de deslocamento dos profissionais e aumentar a capacidade de resposta diante de ocorrências simultâneas.

A empresa também intensificou o programa de manutenção preventiva ao longo deste ano. Segundo a companhia, foram realizados mutirões envolvendo aproximadamente 1 mil equipes e cerca de 240 mil ações de manutenção.

O chefe da Defesa Civil Estadual, coronel BM Benício Ferrari Junior, chamou atenção para a possibilidade de o Espírito Santo enfrentar situações distintas ao longo do período.

Segundo ele, o Estado pode registrar tanto episódios de chuvas intensas, enchentes e alagamentos quanto períodos de estiagem, com consequências para os recursos hídricos e aumento do risco de incêndios em vegetação.

O coronel explicou que o efeito do El Niño sobre a região central do Brasil é menos definido do que em outras áreas do país. Por isso, existe a possibilidade de ocorrência de extremos diferentes em regiões distintas do Espírito Santo.

A Defesa Civil mantém um Centro Integrado de Comando e Controle, que reúne diferentes órgãos estaduais para monitorar as condições meteorológicas, atualizar projeções e definir medidas de preparação.

A Defesa Civil também reforçou a importância da participação da população na prevenção.

Moradores devem acompanhar os boletins meteorológicos e manter contato com a Defesa Civil de seus municípios. Quem vive em áreas de risco deve conhecer previamente as rotas de saída e os locais seguros para onde poderá se deslocar em caso de alerta.

A recomendação é que moradores de áreas sujeitas a enchentes, inundações ou deslizamentos mantenham uma pequena bolsa preparada com documentos, medicamentos essenciais, roupas e outros itens necessários para uma eventual saída emergencial.

O coronel também destacou a importância de que pessoas com dificuldade de locomoção se antecipem às situações de risco.

“Se a população não se envolver para prevenir incêndios, economizar água e economizar energia, nós não vamos conseguir fazer frente ao desastre”, afirmou.

Serra já possui plano de contingência

O prefeito da Serra, Weverson Meireles, destacou durante a coletiva que o município foi o primeiro do Espírito Santo a lançar um plano de contingência voltado à mitigação dos impactos do El Niño.

Segundo o prefeito, a Prefeitura mantém uma relação de cooperação com a EDP e considera a integração entre empresas, municípios, Estado e Defesa Civil fundamental para reduzir os impactos dos eventos climáticos.

Para ele, planejamento e prevenção precisam estar acompanhados de uma atuação conjunta entre os diferentes órgãos.

A atuação integrada entre EDP, Defesa Civil, prefeituras, forças de segurança e demais órgãos públicos foi apontada como um dos principais pilares do Plano Verão.

Em situações de eventos extremos, as equipes da companhia podem precisar aguardar a liberação da Defesa Civil ou de outros órgãos para acessar determinadas áreas, principalmente quando há risco à integridade física dos profissionais.

A comunicação com a população também foi considerada estratégica. A EDP destacou que, durante uma ocorrência, informar corretamente o que aconteceu e quais providências estão sendo tomadas ajuda a reduzir a ansiedade dos consumidores e permite que a população compreenda o tempo necessário para o restabelecimento do serviço.

Com a previsão de temperaturas elevadas, a EDP também orienta os consumidores a adotar medidas para evitar desperdícios e reduzir o consumo.

Entre as recomendações está a escolha de aparelhos de ar-condicionado mais eficientes, observando a classificação de eficiência energética dos equipamentos.

A companhia informou ainda que não há previsão de falta de energia no Espírito Santo provocada exclusivamente pelo aumento das temperaturas. Segundo a empresa, os investimentos realizados na rede e o planejamento operacional foram estruturados para suportar o crescimento da demanda.

O Plano Verão 2026/2027 será acompanhado durante toda a temporada, com atualização das informações meteorológicas e possibilidade de reforço das equipes de acordo com a evolução das condições climáticas.

A estratégia da EDP é atuar de forma antecipada, combinando investimentos, tecnologia, monitoramento, manutenção preventiva e integração com o poder público para reduzir os impactos dos eventos extremos e restabelecer o fornecimento de energia no menor tempo possível.

Por: Luciene Costa – Jornalista Revista Ekletica

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