Novas regras obrigam bets a alertar sobre riscos de dependência e perdas financeiras
A publicidade das plataformas de apostas esportivas e cassinos on-line passará a contar, a partir da próxima sexta-feira (17), com avisos obrigatórios sobre os riscos da prática. A medida faz parte de um conjunto de ações do governo federal para reforçar a proteção aos consumidores, combater o uso inadequado das plataformas e conscientizar a população sobre os impactos do jogo compulsivo.
As campanhas deverão exibir mensagens alertando que as apostas podem causar dependência e prejuízos financeiros. Entre as frases que passarão a ser obrigatórias está a de que “aposta não é investimento”, buscando desfazer a ideia de que os jogos podem representar uma fonte segura de renda.
Além das mudanças na publicidade, o governo informou que cerca de 2,8 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) tiveram o acesso às plataformas de apostas bloqueado. A medida tem como objetivo impedir que recursos destinados à subsistência das famílias sejam utilizados em jogos de azar.
Outro dado divulgado aponta que mais de 900 mil pessoas solicitaram voluntariamente a exclusão das plataformas de apostas, utilizando mecanismos de autoexclusão disponíveis para quem reconhece dificuldades em controlar o hábito de jogar.
Especialistas destacam que as apostas devem ser encaradas apenas como uma forma de entretenimento e nunca como estratégia de geração de renda. O alerta ganha ainda mais importância diante do crescimento dos cassinos on-line, que têm atraído milhares de usuários e registrado casos de pessoas que perderam economias de anos em poucas horas de jogo.
Nos últimos meses, o governo também intensificou a fiscalização sobre a publicidade do setor. Empresas e influenciadores que promovem apostas de forma considerada irregular podem ser notificados e até sofrer sanções caso incentivem práticas que desrespeitem as normas estabelecidas.
As novas regras buscam ampliar a conscientização sobre os riscos da ludopatia — transtorno caracterizado pela compulsão por jogos de azar —, além de reduzir o endividamento e proteger pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Com as mudanças, a expectativa é de que a população tenha acesso a informações mais claras sobre os riscos envolvidos antes de realizar qualquer aposta, reforçando que esse tipo de atividade envolve perdas e ganhos e não deve ser tratado como investimento financeiro.