Dia Mundial do TDAH reforça a importância do diagnóstico precoce e da quebra de estigmas
Celebrado em 13 de julho, o Dia Mundial do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) chama a atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre uma condição que afeta milhões de pessoas em diferentes fases da vida. Mais do que dificuldades de concentração, o transtorno pode interferir no desempenho escolar, profissional, nas relações sociais e na qualidade de vida quando não é identificado e tratado corretamente.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade. Apesar de ser frequentemente associado à infância, o diagnóstico também pode ocorrer na adolescência e na vida adulta, especialmente em pessoas que passaram anos convivendo com dificuldades de organização, planejamento e controle dos impulsos sem compreender a origem desses desafios.
Para o psiquiatra da Rede Meridional, José Luis Leal, ainda há muitos equívocos sobre o transtorno, o que contribui para o preconceito e atrasa a busca por ajuda especializada.
“Muitas pessoas acreditam que quem tem TDAH é desinteressado, indisciplinado ou mal-educado. No entanto, trata-se de uma condição neurobiológica reconhecida pela medicina. O diagnóstico correto permite que o paciente desenvolva estratégias para lidar com os sintomas e tenha uma vida plenamente produtiva”, destaca o especialista.
O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico e deve ser realizado por um profissional habilitado, com base na história do paciente, entrevistas e critérios científicos reconhecidos internacionalmente. Embora não exista um exame laboratorial capaz de confirmar a condição, avaliações clínicas e neuropsicológicas auxiliam na identificação do transtorno e na diferenciação de outras situações que também podem causar desatenção, desmotivação ou impulsividade.
O tratamento varia conforme as características de cada paciente e pode incluir acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, intervenções comportamentais e, quando necessário, o uso de medicamentos.
Segundo Leal, a proposta terapêutica é personalizada e busca minimizar os impactos dos sintomas na rotina, favorecendo o desenvolvimento acadêmico, profissional e social. “O tratamento não tem como objetivo mudar a personalidade da pessoa, mas reduzir os prejuízos provocados pelo transtorno e proporcionar mais qualidade de vida”, afirma.
Neste Dia Mundial do TDAH, especialistas reforçam que informação e conscientização são ferramentas fundamentais para combater os estigmas que ainda cercam o transtorno. O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado pode transformar a trajetória de crianças, adolescentes e adultos, permitindo que desenvolvam todo o seu potencial com mais autonomia e bem-estar.