Cidade Educação Geral

Nova arquitetura escolar prioriza acolhimento

A forma de construir escolas está passando por uma transformação silenciosa, mas profunda. Se antes os projetos priorizavam apenas a funcionalidade e a capacidade de acomodar grandes quantidades de estudantes, hoje cresce uma tendência que coloca o ser humano no centro da arquitetura. Ambientes mais acolhedores, integrados à natureza e voltados para a convivência vêm ganhando espaço em instituições de ensino de diferentes níveis.

 

A mudança acompanha uma preocupação cada vez maior com a saúde emocional de crianças e adolescentes. Em meio ao aumento dos casos de ansiedade e isolamento entre jovens, especialistas têm defendido que os espaços físicos também desempenham papel importante no desenvolvimento e na aprendizagem.

Pesquisas internacionais reforçam essa percepção. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Salford, no Reino Unido, e publicado na revista científica Building and Environment, revelou que fatores como iluminação, ventilação, temperatura, flexibilidade dos ambientes e uso das cores podem impactar significativamente o desempenho acadêmico dos estudantes.

No Espírito Santo, essa tendência já se reflete em projetos educacionais que unem funcionalidade e acolhimento. Um dos exemplos é o Centro Educacional Castelo (CEC), na Serra. Com cerca de 15 mil metros quadrados, o complexo foi projetado pela arquiteta Maria Madalena Rodrigues Fraga Lorenção, associada da AsBEA/ES, com a proposta de transformar a arquitetura em uma ferramenta de integração e qualidade de vida.

Segundo a profissional, os espaços escolares precisam acompanhar as mudanças da sociedade e responder às novas necessidades das famílias e dos alunos.

“A escola deixou de ser apenas um lugar para transmissão de conhecimento. É preciso criar ambientes que favoreçam criatividade, pertencimento e convivência. O espaço também faz parte do processo educativo”, destaca Maria Madalena.

No projeto, os ambientes são organizados ao redor de um amplo pátio central coberto por uma estrutura translúcida, concebido para estimular a interação entre estudantes e proporcionar maior integração entre os diferentes setores da escola. A presença abundante de luz natural contribui para tornar os ambientes mais confortáveis e reduzir o consumo de energia.

A proximidade com uma área de mata preservada também foi incorporada à proposta. A biblioteca, voltada para a paisagem verde, busca proporcionar uma experiência mais tranquila e contemplativa, seguindo conceitos da arquitetura biofílica, que aproxima as pessoas dos elementos naturais.

Aspectos como ventilação cruzada, conforto acústico, acessibilidade e aproveitamento do relevo do terreno também foram considerados desde as etapas iniciais do projeto, permitindo a criação de espaços de convivência e lazer conectados às áreas esportivas.

A valorização do ambiente como parte do processo de aprendizagem também está presente na Terracota, escola de educação infantil inaugurada recentemente na Praia da Costa, em Vila Velha. Assinado pelo arquiteto Sandro Pretti, o projeto foi desenvolvido para atender crianças de 1 a 5 anos em espaços que estimulam autonomia, movimento e interação com o ambiente externo.

Com mais de mil metros quadrados, a estrutura privilegia a iluminação natural e oferece áreas destinadas a diferentes experiências, como parquinho ao ar livre, piscina, horta, biblioteca com palco para apresentações teatrais, sala do sono e espaços para oficinas.

 

Leia também