Atacado capixaba projeta arrecadação bilionária e acende alerta sobre reforma tributária
![]()
O setor atacadista e distribuidor do Espírito Santo estima movimentar R$ 56,8 bilhões em arrecadação de ICMS até 2032, consolidando-se como um dos principais motores da economia capixaba. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (19), durante um encontro promovido pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades), no Palácio Anchieta, em Vitória.
O levantamento inédito, elaborado pela consultoria Futura | Apex Partners, revelou o peso estratégico do segmento para o desenvolvimento econômico do estado, destacando o avanço da arrecadação, a geração de empregos e a forte presença do Espírito Santo no comércio interestadual brasileiro.
Segundo o estudo, somente no último ano da projeção, em 2032, a arrecadação deve alcançar R$ 9,3 bilhões, mesmo em meio à fase de transição da reforma tributária, que começará a substituir gradualmente o ICMS e o ISS pelo novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Durante o evento, o presidente do Sincades, Idalberto Moro, ressaltou que o crescimento do setor nos últimos anos transformou o atacado em peça central das finanças públicas estaduais. Entre 2022 e 2025, a arrecadação ligada ao segmento saltou de R$ 2,61 bilhões para R$ 6,64 bilhões, um aumento de 151%.
Atualmente, quase um terço de todo o ICMS arrecadado no Espírito Santo tem origem no atacado distribuidor. Parte significativa desses recursos retorna diretamente para os municípios capixabas, fortalecendo áreas como saúde, educação, infraestrutura e serviços públicos.
O estudo também aponta a expansão expressiva da atividade comercial interestadual. Entre 2017 e 2024, a movimentação de mercadorias entre o Espírito Santo e outros estados cresceu mais de 330%, passando de R$ 210,1 bilhões para R$ 908,5 bilhões. O desempenho coloca o estado em posição estratégica na logística nacional, mesmo representando apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Hoje, cerca de 85% das vendas do atacado capixaba são destinadas a outros estados, principalmente para a região Sudeste. Em 2024, o segmento movimentou aproximadamente R$ 198 bilhões, sendo R$ 172,9 bilhões em operações interestaduais.
Apesar dos números positivos, o setor demonstra preocupação com os impactos da reforma tributária. Com a mudança gradual da arrecadação da origem para o destino das mercadorias, estados com forte atuação na distribuição nacional, como o Espírito Santo, podem enfrentar perdas significativas de receita.
A projeção apresentada pelo Sincades indica que, a partir de 2033, o estado poderá deixar de arrecadar cerca de R$ 8 bilhões por ano, o que também afetaria diretamente os municípios capixabas, que recebem parte da arrecadação do ICMS.
Presente no encontro, o governador Ricardo Ferraço afirmou que o governo estadual já discute medidas para minimizar os impactos da nova legislação tributária. Entre as estratégias estão investimentos em infraestrutura logística, fortalecimento do ambiente de negócios e a utilização do Fundo Soberano para estimular a economia e atrair novos empreendimentos.
O evento também contou com um painel sobre os desafios da reforma tributária e o futuro econômico do Espírito Santo, reunindo representantes da área fazendária, desenvolvimento econômico, setor produtivo e lideranças empresariais.