Cidade Geral Saúde

Doença intestinal exige atenção além do intestino

Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal alerta para impactos hormonais e metabólicos da condição

Celebrado em 19 de maio, o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal chama a atenção para doenças como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Embora sejam mais conhecidas pelos sintomas gastrointestinais, especialistas alertam que essas condições também podem comprometer o metabolismo, a absorção de nutrientes e o equilíbrio hormonal.

De acordo com a endocrinologista Gisele Lorenzoni, as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) precisam ser analisadas de forma ampla, já que o processo inflamatório crônico pode afetar diferentes funções do organismo.

“Trata-se de um quadro inflamatório crônico que pode comprometer diferentes funções do organismo, afetando o metabolismo, a saúde óssea e até o equilíbrio hormonal”, explica a médica.

Entre os principais impactos estão as deficiências nutricionais, especialmente de vitamina D, ferro e vitamina B12, nutrientes essenciais para o bom funcionamento metabólico. Segundo a especialista, a baixa absorção desses nutrientes pode provocar fadiga, perda de massa muscular, alterações metabólicas e aumento do risco de osteopenia e osteoporose.

Outro ponto de atenção é o uso prolongado de corticoides, frequentemente utilizados no tratamento das crises inflamatórias. Apesar de serem fundamentais para o controle da doença, esses medicamentos podem desencadear efeitos colaterais importantes.

“Os corticoides podem elevar a glicemia, favorecer resistência à insulina e impactar diretamente a saúde óssea, exigindo acompanhamento endócrino contínuo”, destaca Gisele Lorenzoni.

A endocrinologista também ressalta que o intestino exerce papel importante na produção de hormônios e na regulação metabólica, o que torna os efeitos da inflamação intestinal ainda mais abrangentes.

Para a especialista, o tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais deve envolver uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento médico integrado.

“O cuidado precisa ser multidisciplinar. Monitorar aspectos hormonais, nutricionais e metabólicos é fundamental para prevenir complicações e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes”, conclui a médica.

Leia também