Arranjos Produtivos já regularizou mais de 200 agroindústrias e associações no ES
Projeto da Assembleia Legislativa fortalece agricultura familiar, amplia mercados e aumenta a renda de produtores em 36 municípios capixabas
O projeto Arranjos Produtivos, desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), já ajudou a constituir ou regularizar mais de 200 agroindústrias e associações desde o início das atividades, em 2023. A iniciativa atua em 36 municípios capixabas oferecendo suporte técnico, orientação e acompanhamento para que pequenos empreendedores rurais deixem a informalidade, ampliem mercados e aumentem a renda da agricultura familiar.
Além de promover conhecimento e assistência técnica no campo, o projeto tem sido fundamental para a criação de agroindústrias e fortalecimento do associativismo rural, agregando valor à produção e incentivando o trabalho coletivo entre agricultores familiares.
Um dos exemplos de sucesso vem de Rio Novo do Sul, na Região Sul do Estado. A produtora Carolini de Freitas Menegardo, proprietária da marca Bela Vista Café Especial, conta que iniciou o negócio em 2023, tornando-se pioneira no segmento de cafés especiais no município.
Segundo ela, a principal dificuldade era regularizar a produção para conquistar novos mercados. “No início, vendíamos apenas para o consumidor final, mas surgiu a demanda de supermercados, delicatessens e mercados digitais. Precisávamos da certificação, mas era difícil encontrar orientação confiável e acessível”, relata.
Com o apoio da consultora de Agroindústria do Arranjos Produtivos, Alessandra Vasconcelos Albergaria, o café passou por todo o processo de regularização e rotulagem. Hoje, o produto já pode ser comercializado em todo o Brasil, inclusive por plataformas digitais como a Shopee e por e-commerce próprio.
“Foi um processo rápido, gratuito e muito eficiente. Hoje conseguimos vender para vários mercados e aumentar a renda. Já pensamos até em ter nossa própria torrefação”, destaca Carolini.
Outra empreendedora beneficiada pelo projeto é Drielem Perim Zambe, proprietária da IceDri Sorvetes e Picolés Artesanais Juçara. O negócio surgiu de forma artesanal, com foco na valorização da juçara, fruto semelhante ao açaí.
Ela explica que enfrentava dificuldades relacionadas à estrutura, regularização e organização da produção até receber o suporte do Arranjos Produtivos.
“O projeto ajudou a esclarecer dúvidas e organizar melhor todo o processo produtivo. A regularização do espaço está avançando graças a esse acompanhamento técnico”, afirma.
As duas produtoras destacam a importância da iniciativa para o fortalecimento do empreendedorismo rural. “O Arranjos faz toda a diferença para quem está começando ou enfrentando dificuldades”, comenta Drielem.
Carolini também reforça o impacto positivo do projeto. “Foi através dele que conseguimos acessar novos mercados e aumentar nossa comercialização. O diferencial é o atendimento humano e qualificado”, ressalta.
De acordo com a consultora Alessandra Vasconcelos, o projeto já atendeu 103 estabelecimentos, dos quais 65 agroindústrias foram regularizadas. As principais áreas atendidas são torrefação e moagem de café, polpas de frutas, leite e derivados, especialmente queijos e iogurtes.
As consultorias são realizadas presencialmente e também de forma remota, com elaboração de documentos técnicos, projetos de adequação, plantas baixas e rotulagem de produtos.
Segundo Alessandra, um dos maiores desafios enfrentados pelos empreendedores é o acesso a recursos financeiros para adequação dos espaços às exigências sanitárias.
Ela destaca que a regularização traz benefícios importantes, como aumento da renda, valorização dos produtos, fortalecimento da marca, emissão de notas fiscais e ampliação da segurança jurídica e sanitária.
“Com o registro sanitário, o produtor consegue acessar novos mercados, vender para supermercados e participar de programas públicos como o PNAE e o PAA”, explica.
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Associações fortalecem agricultura familiar
Outro eixo importante do projeto é o apoio à criação e regularização de associações, cooperativas e institutos. Até o momento, 139 entidades já receberam suporte, sendo 116 compostas por agricultores familiares.
O consultor de Associativismo e Cooperativismo do Arranjos Produtivos, João Passos, afirma que muitos produtores procuram o projeto por falta de orientação técnica e administrativa.
“A regularização fortalece a independência dos produtores, amplia o acesso a recursos e permite participação em programas governamentais”, enfatiza.
Em Montanha, no Norte do Estado, o agricultor Matheus Pancieri Sellin recebeu apoio técnico para formalizar a Associação Princesa do Campo, criada em julho de 2025 e formada inicialmente por três produtores rurais.
“A maior dificuldade era justamente a parte técnica para elaboração da documentação. O Arranjos Produtivos nos ajudou nesse processo e por isso recomendo o projeto”, afirma.
Segundo a secretária da Casa dos Municípios, Joelma Costalonga, o trabalho desenvolvido pelo projeto inclui orientação jurídica, organização administrativa, acesso a políticas públicas e enquadramento em programas de economia solidária.
“O objetivo é transformar a produção primária em produtos com valor agregado, fortalecendo toda a cadeia produtiva da agricultura familiar”, conclui.