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Asma ainda provoca milhares de internações no Brasil

Dia Mundial da Asma alerta para doença que ainda provoca milhares de internações no Brasil

Falta de ar, chiado no peito, tosse persistente e sensação de aperto no tórax. Sintomas muitas vezes ignorados no início podem indicar uma doença crônica que continua impactando milhões de brasileiros e pressionando o sistema público de saúde. Celebrado nesta terça-feira (5), o Dia Mundial da Asma reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com a asma no Brasil. Mesmo com medicamentos gratuitos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a doença ainda está entre as principais causas de internação respiratória no país. Anualmente, aproximadamente 350 mil hospitalizações são registradas por complicações relacionadas às crises asmáticas.

A pneumologista Jéssica Polese explica que a asma é uma inflamação crônica das vias respiratórias e pode surgir em qualquer idade. “Os sintomas aparecem de forma variável. Muitos pacientes relatam piora durante a noite, após exposição à poeira, fumaça, mudanças climáticas ou outros fatores ambientais”, destaca.

Embora seja uma doença conhecida, especialistas alertam que um dos maiores problemas está na interrupção do tratamento quando os sintomas desaparecem temporariamente. De acordo com a médica, a ausência de sintomas não significa cura.

“A asma é contínua, mesmo quando o paciente está bem. O tratamento precisa ser mantido para evitar inflamações silenciosas que podem desencadear crises graves”, afirma.

Além do uso correto da medicação, fatores ambientais têm contribuído para o aumento das crises respiratórias. Poluição, clima seco, mofo, fumaça e mudanças bruscas de temperatura estão entre os principais gatilhos observados nos consultórios e unidades de saúde.

Nas grandes cidades, a combinação entre poluição atmosférica e baixa umidade do ar agrava ainda mais o quadro de pessoas com predisposição respiratória. Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações.

Dados do SUS apontam ainda que milhões de atendimentos relacionados à asma são realizados anualmente na atenção básica, demonstrando que a doença faz parte da rotina de milhares de famílias brasileiras.

Para os especialistas, a maioria das internações poderia ser evitada com acompanhamento médico regular, acesso à informação e adesão correta ao tratamento. “Quando a asma está controlada, o paciente consegue ter qualidade de vida e dificilmente precisará de atendimento de urgência”, reforça Jéssica Polese.

A orientação é que sintomas respiratórios recorrentes nunca sejam tratados apenas como algo passageiro. Tosse frequente, chiado e cansaço excessivo podem ser sinais de alerta para uma condição que, embora não tenha cura, pode ser controlada de forma eficaz.

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