A Justiça Eleitoral do Espírito Santo determinou a suspensão imediata da divulgação de uma pesquisa eleitoral do Instituto Veritá após identificar indícios de irregularidades que poderiam comprometer a lisura do levantamento e prejudicar diretamente o pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, Ricardo Ferraço.
A decisão liminar foi assinada pelo desembargador eleitoral Américo Bedê Freire Júnior, do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), no processo nº 0600102-34.2026.6.08.0000.
Segundo a representação apresentada pelo partido AGIR/ES, o instituto teria realizado entrevistas telefônicas de forma diferente daquela oficialmente registrada junto à Justiça Eleitoral. Um dos principais pontos destacados na decisão envolve a identificação numérica dos candidatos durante a pesquisa.
Conforme consta no questionário registrado, os candidatos Ricardo Ferraço e Euclério Sampaio apareciam vinculados ao número 15, correspondente ao MDB. No entanto, durante as entrevistas telefônicas, Ricardo Ferraço teria sido associado ao número 99, enquanto Euclério permaneceu ligado ao número tradicional do partido.
Na avaliação do magistrado, a mudança poderia confundir os entrevistados e afetar diretamente a percepção do eleitorado em relação ao nome de Ricardo Ferraço, já que a identificação partidária possui forte peso nas disputas eleitorais.
“A alegação do partido representante de que tal fato poderia induzir o eleitor a não votar no aludido candidato me parece razoável”, destacou o desembargador na decisão.
O TRE-ES também observou que o instituto utilizou critérios considerados inconsistentes ao incluir no cenário eleitoral nomes de possíveis candidatos que estariam legalmente impedidos de disputar a eleição, como os prefeitos Arnaldo Borgo e Euclério Sampaio, que não teriam se desincompatibilizado dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral.
Para a Justiça Eleitoral, as falhas identificadas podem comprometer a credibilidade e a representatividade do levantamento divulgado ao eleitorado capixaba.
Diante dos indícios apresentados, o TRE-ES determinou a suspensão imediata da pesquisa registrada sob o número ES-09049/2026, fixando multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
O episódio ocorre em meio a outro questionamento envolvendo o Instituto Veritá no Espírito Santo. Em ação movida anteriormente pelo MDB, o partido já havia levantado suspeitas sobre outro levantamento eleitoral divulgado pelo instituto, apontando possível impacto no cenário político e eventual favorecimento ao ex-prefeito Lorenzo Pazolini.
Nos bastidores políticos, a nova decisão judicial reforçou o discurso de aliados de Ricardo Ferraço, que defendem maior rigor na fiscalização das pesquisas eleitorais e transparência total nos métodos utilizados pelos institutos durante o período pré-eleitoral.
O caso segue em tramitação na Justiça Eleitoral, e o Instituto Veritá ainda poderá apresentar defesa nos autos.