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Campanha une forças contra violência à mulher no ES

Forças de segurança se unem em campanha contra a violência doméstica no Espírito Santo

Uma mobilização inédita envolvendo diferentes forças de segurança pública tem ganhado força em todo o Espírito Santo com um objetivo claro: romper o silêncio e combater a violência contra as mulheres. A campanha, que reúne guardas municipais, polícias militar e civil, transforma relatos comuns do cotidiano em um alerta direto sobre os sinais do ciclo de abuso.

Frases como “eu tenho ciúmes porque me importo”, “mulher minha não precisa trabalhar” e “se você me deixar, eu não sei o que faço” — frequentemente naturalizadas — são o ponto de partida da ação. No contexto da campanha, essas expressões deixam de ser vistas como demonstrações de afeto e passam a ser reconhecidas como formas de controle e violência psicológica.

Na Serra, um vídeo simbólico marca a iniciativa. Nele, guardas municipais mulheres aparecem segurando cartazes com essas frases e, em seguida, rasgam o papel diante das câmeras. O gesto representa a quebra do ciclo de violência e o incentivo para que vítimas não se calem.

Uma das participantes da ação relatou o impacto emocional durante a gravação. “Foi um momento difícil, porque muitas de nós já ouvimos ou conhecemos histórias semelhantes. Rasgar aquelas frases foi uma forma de dar voz a outras mulheres e mostrar que isso não pode ser normalizado”, afirmou.

A campanha se espalhou por diferentes regiões do estado. Em Linhares, no norte capixaba, agentes reforçaram a mensagem de que a responsabilidade nunca é da vítima. Já em Anchieta, no litoral sul, homens das forças de segurança também participaram, destacando que combater a violência contra a mulher é um compromisso coletivo.

O movimento ganhou ainda mais força após o recente caso de feminicídio que vitimou uma comandante da Guarda Municipal, trazendo à tona a urgência de ações concretas e eficazes. O episódio reforçou a necessidade de ampliar o debate e endurecer medidas contra agressores.

A comandante da Guarda Municipal de Vila Velha, Landa Marques, destacou que a campanha busca, além de conscientizar, provocar uma mudança de postura. “Precisamos tornar os agressores desconfortáveis, usar tecnologia e inteligência para monitorar e impedir novas violências. É preciso agir antes que o pior aconteça”, defendeu.

Entre as propostas estão o uso de monitoramento inteligente, reconhecimento facial e sistemas de alerta para casos em que medidas protetivas sejam descumpridas. A ideia é antecipar riscos e garantir mais segurança às vítimas.

As autoridades também reforçam a importância da denúncia. O canal nacional 180, além dos números de emergência como 190 e contatos das guardas municipais, são ferramentas fundamentais para interromper o ciclo de violência.

A mensagem central da campanha é direta: comportamentos abusivos não devem ser tolerados. Ao dar visibilidade a sinais muitas vezes ignorados, a iniciativa busca encorajar mulheres e testemunhas a reconhecerem a violência e procurarem ajuda antes que ela evolua para casos mais graves.

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