Sedentarismo altera metabolismo e hormônios e aumenta risco de doenças crônicas, alerta endocrinologista
A falta de atividade física tem provocado impactos cada vez mais evidentes na saúde da população. O sedentarismo pode alterar o metabolismo e o equilíbrio hormonal do organismo, favorecendo o surgimento de doenças crônicas como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. O alerta é da endocrinologista Gisele Lorenzoni.
De acordo com a especialista, o corpo humano foi biologicamente projetado para o movimento. Quando a rotina passa a ser marcada por longos períodos de inatividade, ocorrem mudanças importantes no funcionamento do organismo, desde o metabolismo basal até a produção e regulação de hormônios.
“A redução do gasto energético diário e a ausência de estímulos fisiológicos proporcionados pela atividade física interferem diretamente no metabolismo. Quando uma pessoa permanece muito tempo inativa, há alterações na produção de hormônios ligados ao apetite e ao gasto energético, além da diminuição da sensibilidade à insulina”, explica a endocrinologista.
A resistência à insulina é um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Além disso, o sedentarismo também interfere na produção de hormônios como leptina e grelina, responsáveis pela regulação da fome e da saciedade, o que pode levar a padrões alimentares desregulados.
Outro efeito do estilo de vida sedentário é a redução do gasto energético do organismo para manter suas funções vitais. Esse processo favorece o acúmulo de gordura corporal e provoca mudanças na composição do corpo, especialmente com a perda de massa muscular.
Segundo Gisele Lorenzoni, a falta de estímulo físico também compromete o metabolismo muscular. “A atividade física estimula as mitocôndrias, estruturas celulares responsáveis pela produção de energia. Sem esse estímulo, ocorre uma redução da atividade mitocondrial, o que impacta diretamente o desempenho metabólico do organismo”, afirma.
Com a diminuição da atividade muscular, o corpo passa a utilizar menos glicose e gordura como fonte de energia, favorecendo o acúmulo dessas substâncias no sangue e aumentando o risco de doenças metabólicas.
Estudos recentes também apontam que longos períodos sentado podem elevar marcadores inflamatórios no organismo, criando um ambiente propício para o desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares.
Além disso, o sedentarismo pode influenciar a produção de hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol, que está associado ao aumento da gordura abdominal, alterações no sono e maior risco de síndrome metabólica.
Apesar dos riscos, pequenas mudanças de comportamento já podem trazer benefícios importantes para a saúde. Interromper períodos prolongados sentado, caminhar alguns minutos ao longo do dia e incluir exercícios físicos na rotina são atitudes capazes de melhorar significativamente o funcionamento metabólico e hormonal do organismo.
A recomendação é que adultos pratiquem ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, conforme orientações da Organização Mundial da Saúde. A entidade também alerta para o crescimento dos hábitos sedentários, impulsionados principalmente pelo aumento do trabalho remoto e pelo alto tempo de exposição a telas.