Diagnóstico de Eric Dane reacende debate sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica
O falecimento do ator Eric Dane, conhecido internacionalmente por seu papel na série Grey’s Anatomy, voltou a chamar a atenção para a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurológica progressiva que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários do corpo, provocando perda gradual de força muscular.
Ao longo da trajetória artística, Dane também se destacou por dar visibilidade à doença após tornar público o diagnóstico. O ator passou a utilizar sua projeção para falar sobre a importância da informação, do apoio aos pacientes e do investimento em pesquisas científicas, contribuindo para ampliar o debate sobre a ELA em nível mundial.
De acordo com o neurologista Arthur Xavier, do Hospital Santa Rita, a Esclerose Lateral Amiotrófica compromete progressivamente as células nervosas que controlam os movimentos do corpo. “Esses neurônios deixam de funcionar ao longo do tempo, levando à fraqueza muscular, perda de massa e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia, como caminhar, segurar objetos ou falar”, explica.
Os primeiros sintomas costumam surgir de forma discreta e, muitas vezes, assimétrica. “É comum o paciente perceber fraqueza em um dos membros, tropeços frequentes ou alterações na fala. Com a evolução da doença, outros grupos musculares são afetados, inclusive os responsáveis pela respiração e pela deglutição”, afirma o especialista. Ele ressalta que, na maioria dos casos, a sensibilidade e a consciência permanecem preservadas.
A causa da ELA ainda não é totalmente conhecida. A maioria dos casos ocorre de forma esporádica, sem um fator desencadeante definido, enquanto uma parcela menor tem origem genética. “O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação neurológica, com apoio de exames como a eletroneuromiografia, que também ajudam a excluir outras doenças”, destaca Arthur Xavier.
Embora ainda não exista cura, há tratamentos capazes de retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “O acompanhamento multidisciplinar é fundamental. Medicamentos, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte nutricional e respiratório fazem diferença significativa no cuidado e na funcionalidade desses pacientes”, conclui.
A repercussão da morte de Eric Dane reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica, promovendo informação, empatia e incentivo à pesquisa científica voltada às doenças neurológicas progressivas.