Carnaval: cuidado com o beijo! Especialistas alertam para doenças transmitidas pela saliva
Com a chegada do Carnaval, período marcado por festas, encontros e muitos beijos na boca, infectologistas reforçam a importância de redobrar a atenção com a saúde. O beijo é um gesto de afeto e alegria, mas também pode ser uma via eficiente de transmissão de vírus, bactérias e outros microrganismos, especialmente por meio da saliva ou de lesões na boca — risco que aumenta quando há contato com várias pessoas em curto espaço de tempo.Para orientar a população, os infectologistas Raphael Zanotti, do Hospital Santa Rita, e Marina Malacarne, do Hospital São José, listam as principais doenças que podem ser transmitidas pelo beijo, explicam como elas afetam o organismo e quais são as formas de prevenção e tratamento.
Mononucleose infecciosa – Conhecida popularmente como “doença do beijo”, é causada pelo vírus Epstein-Barr e se dissemina principalmente pela saliva. “É uma das infecções mais transmissíveis nesse tipo de contato”, explica Raphael Zanotti. Os sintomas incluem febre, dor de garganta intensa, fadiga e aumento dos gânglios no pescoço, surgindo semanas após a exposição. O tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e controle dos sintomas.
Herpes labial (HSV-1) – Provocada pelo vírus herpes simplex tipo 1, causa pequenas bolhas dolorosas nos lábios e ao redor da boca. “O vírus pode ser transmitido mesmo sem feridas visíveis, pois pode estar presente na saliva”, alerta Marina Malacarne. Embora não tenha cura, medicamentos antivirais ajudam a reduzir a duração e a intensidade das crises.
Sífilis – Infecção bacteriana causada pelo Treponema pallidum, é mais comum por via sexual, mas pode ser transmitida pelo beijo quando há lesões na boca ou nos lábios. “Sem tratamento, a sífilis pode evoluir e provocar complicações graves, inclusive neurológicas”, destaca Zanotti. A doença tem cura e o tratamento padrão é feito com penicilina, conforme a fase da infecção.
Infecções respiratórias (gripe, resfriado e Covid-19) – Vírus como Influenza, rinovírus e SARS-CoV-2 são transmitidos por gotículas de saliva. O beijo facilita essa transmissão. “Mesmo um beijo rápido pode ser suficiente para a passagem desses vírus”, explica Marina Malacarne. O tratamento costuma ser de suporte, com antivirais indicados em casos específicos e para grupos de risco.
Gonorreia orofaríngea – Embora mais associada às relações sexuais desprotegidas, a gonorreia também pode infectar a garganta e, em situações específicas, ser transmitida pelo beijo. Os sintomas incluem dor de garganta persistente e inflamação, e o tratamento é feito com antibióticos prescritos por um médico.
Os especialistas orientam medidas simples para reduzir os riscos: manter boa higiene bucal, evitar beijar pessoas com lesões visíveis nos lábios ou na boca, não compartilhar copos, talheres ou objetos pessoais e manter as vacinas em dia — especialmente contra gripe, Covid-19 e HPV.“É importante procurar atendimento médico ao perceber sintomas persistentes ou feridas bucais incomuns. O beijo deve continuar sendo um gesto de afeto neste Carnaval, mas com consciência. Cuidar da saúde não significa evitar o contato humano, e sim praticá-lo de forma responsável”, ressalta Raphael Zanotti.Marina Malacarne conclui lembrando que a prevenção beneficia a todos: “Cuidar de si e do outro faz diferença na saúde coletiva.”