Agricultura Política

Ales leva mercado de carbono à agricultura familiar

Projeto da Ales amplia atuação e passa a orientar agricultores familiares sobre créditos de carbono

No terceiro ano de execução, o Projeto Arranjos Produtivos, desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), amplia seu escopo e incorpora uma nova frente de atuação voltada à sustentabilidade e à geração de renda no campo: a orientação para acesso ao mercado de créditos de carbono. A iniciativa busca capacitar pequenos produtores rurais para desenvolver projetos que reduzam a emissão de gases de efeito estufa, conciliando preservação ambiental e retorno financeiro.

Criado com o objetivo de fortalecer a agricultura familiar por meio da diversificação produtiva e da disseminação de conhecimento técnico, o projeto passa a atuar também na proteção dos produtores frente a práticas irregulares no mercado ambiental. Segundo o presidente da Ales, deputado Marcelo Santos (União), a inclusão do tema responde a uma demanda concreta das comunidades rurais.

“O projeto avançou porque dialoga com a realidade do campo. O crédito de carbono não entra como moda, mas como uma necessidade real para quem vive da terra”, afirmou o parlamentar. Ele destaca que o investimento em capacitação técnica tem sido fundamental para garantir mais autonomia aos agricultores e evitar que terceiros se apropriem indevidamente dos benefícios financeiros gerados pelas propriedades rurais.

A preocupação com a falta de informação no setor já havia sido apontada pelo presidente da Casa em entrevista concedida à TV Ales, em dezembro. Na ocasião, ele alertou para a atuação de intermediários que acabam ficando com recursos que deveriam chegar diretamente aos produtores, muitas vezes por desconhecimento dos próprios agricultores.

Desde o ano passado, o tema vem sendo trabalhado diretamente com os produtores rurais por meio de seminários e palestras realizados em municípios como Jerônimo Monteiro, Anchieta, Conceição do Castelo, São Domingos do Norte, Nova Venécia, Jaguaré e Conceição da Barra. A expectativa é que o alcance da iniciativa seja ampliado em 2026, quando o projeto deve chegar a 35 municípios capixabas.

Os técnicos do Arranjos Produtivos orientam os agricultores sobre como estruturar projetos ambientais capazes de gerar créditos de carbono, como práticas de uso responsável do solo, conservação de áreas naturais e reflorestamento. A proposta é permitir que o pequeno produtor seja recompensado financeiramente por ações sustentáveis realizadas dentro da própria propriedade.

Para ingressar nesse mercado, não é obrigatório fazer parte do projeto, mas é necessário cumprir alguns critérios, como possuir o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado junto ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e não ter realizado queimadas nos últimos cinco anos.

A secretária da Casa dos Municípios da Ales, Joelma Costalonga, anunciou que uma nova formação técnica sobre o tema será realizada ainda neste mês de fevereiro. Para ela, o acesso ao crédito de carbono representa um direito do agricultor. “Cuidar da propriedade, do carbono produzido ali e receber por isso é uma forma de reconhecer o papel do homem e da mulher do campo na preservação ambiental”, ressaltou.

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