Pesquisa nacional mostra que, mesmo com dificuldades financeiras, a maioria associa prosperidade a dinheiro, bem-estar e planejamento para o futuro
Mesmo com dificuldade para fechar o mês, a maioria dos brasileiros se considera próspera. A constatação vem de uma pesquisa inédita encomendada pelo Sicredi em parceria com o Datafolha, que revela um paradoxo: embora o dinheiro siga como base da prosperidade, ele não é visto como um fim em si mesmo.
O estudo “O que é prosperidade para o brasileiro” ouviu 2.003 pessoas em 113 cidades, em todas as regiões do país. O levantamento mostra que 41% dos entrevistados se consideram muito prósperos, enquanto outros 40% se colocam em um patamar intermediário. Ao mesmo tempo, 47% afirmam prosperar “com dificuldade”, pressionados por insegurança no trabalho, desigualdade de oportunidades e pouco apoio para lidar com as finanças.
Dinheiro é base, mas não explica tudo
A pesquisa identificou quatro dimensões que formam o conceito de prosperidade para os brasileiros. A econômica aparece como a mais relevante, com peso de 39%, associada a estabilidade, acesso a oportunidades e conquistas materiais. Em seguida vêm as dimensões psicológica, espiritual e social.
Para o gerente de pesquisa de mercado do Datafolha, Paulo Alves, o dado reforça uma leitura mais complexa sobre o tema. “O dinheiro é visto como um meio, não como um fim. Ele sustenta outros aspectos importantes, como educação, saúde e qualidade de vida, que também fazem parte da ideia de prosperidade”, afirma.
Janeiro e o papel do planejamento financeiro
Com o início do ano, o tema ganha ainda mais peso. Segundo especialistas, janeiro é um período estratégico para reorganizar as finanças e planejar investimentos, especialmente para quem quer transformar objetivos em metas concretas.
Para Ludmilla Franca, gerente de investimentos da Sicredi Serrana, o primeiro passo é entender a própria realidade financeira. “Antes de investir, é fundamental organizar o orçamento, identificar gastos fixos e variáveis e definir objetivos claros. Prosperidade também passa por planejamento e constância, não apenas por renda”, diz.
Ela destaca que investir não é exclusivo de quem tem muito dinheiro. “Existem opções acessíveis para diferentes perfis. O mais importante é começar, mesmo com valores menores, e buscar orientação para escolher produtos alinhados aos seus objetivos”, explica.
Confiança e orientação fazem diferença
A pesquisa também analisou a relação dos brasileiros com instituições financeiras. Entre pessoas que se consideram mais prósperas, o uso de produtos financeiros é maior. O estudo mostra ainda que 86% dos entrevistados que se relacionam com cooperativas de crédito se sentem prósperos. Entre associados do Sicredi, esse índice chega a 92%.
“Quando as pessoas têm acesso à informação e orientação, elas se sentem mais seguras para planejar o futuro e investir. Isso impacta diretamente a percepção de prosperidade”, afirma Ludmilla Franca.
Prosperidade como processo
Os dados reforçam que prosperar, para o brasileiro, é um processo contínuo. Envolve lidar com boletos, mas também manter sonhos, buscar equilíbrio e planejar o futuro. Em janeiro, esse movimento costuma ganhar força, impulsionado pela vontade de recomeçar e organizar a vida financeira com mais clareza.