Em um encontro marcado por reflexões sobre sustentabilidade, inovação e impacto econômico, o 226º Café de Negócios da Associação dos Empresários da Serra (Ases) reforçou o protagonismo da cidade como exemplo de práticas ESG no Brasil. Realizado na manhã desta quarta-feira, 09, no Steffen Centro de Eventos, o evento reuniu empresários, especialistas e representantes do poder público para debater o tema “ESG na prática: o impacto que move negócios e abre novos mercados”.
Um dos destaques do encontro foi a fala da engenheira Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil. Ela defendeu que investir em saneamento básico é uma estratégia ESG genuína, com resultados diretos para a sociedade. “O saneamento social é um retorno certo, é ESG na veia. Serra pode ser um exemplo para outras cidades brasileiras”, afirmou, ao apresentar dados sobre os benefícios econômicos, sociais e ambientais da expansão da cobertura de esgoto no município.
Segundo Luana, os investimentos em saneamento na Serra já geraram um retorno líquido de R$ 1 bilhão. “As obras movimentam a economia com geração de empregos, valorização imobiliária e estímulo à cadeia produtiva. As empresas precisam se engajar: fazer a ligação correta na rede, promover educação ambiental e multiplicar boas práticas. O retorno é certo e beneficia todos”, explicou.
A especialista também citou o emissário submarino da Serra como exemplo de tecnologia moderna, adotada em locais sem rios com capacidade de autodepuração. “A cidade mostra que é possível inovar e avançar no saneamento básico”, completou.
O painel principal do evento, mediado pela jornalista Andréia Lopes, contou ainda com Guilherme Barbosa, fundador da startup ECO55 e especialista em mitigação das mudanças climáticas. Ele fez um alerta sobre a urgência da agenda de descarbonização. “O colapso climático não é mais algo do futuro, é uma realidade presente. Precisamos de velocidade e escala para reduzir emissões”, disse.
Barbosa destacou que o Espírito Santo já possui um plano estadual com metas até 2030 e 2050, mas que o engajamento de todos os setores é essencial. “Empresas que não entenderem a transição energética e as exigências ESG vão ficar fora do jogo”, pontuou.
O encontro também contou com a participação de representantes dos patrocinadores. Lucilaine Medeiros, presidente da Ambiental Serra e representante do grupo Aegea, destacou o compromisso da empresa com o diálogo público-privado e com o avanço do saneamento no município. “Não poderíamos ficar de fora de uma conversa como essa”, afirmou.
Marcos Kneip, diretor de Negócios do Bandes, ressaltou o trabalho do banco capixaba no fomento à transição energética no Estado. Já Denilson Nogueira, gerente de Negócios da Comprocard, celebrou o orgulho de uma empresa 100% capixaba apoiar um debate de impacto.
Na abertura do evento, a diretora de Relações Institucionais da Ases, Jaqueline Bertrandra, reforçou o objetivo do encontro. “Vamos aproveitar esse debate de altíssimo nível para aprender bastante e aplicar no nosso dia a dia empresarial”, disse.
O diretor da Ases, Kleber Alves, encerrou o encontro destacando o papel da associação na promoção de soluções para o desenvolvimento sustentável do município. “A Ases contribui para o crescimento das empresas e da cidade. O Café de Negócios é o espaço certo para provocar essas reflexões”, afirmou.