Política

Seis décadas de governos no Espírito Santo

Espírito Santo: seis décadas de governos e as transformações do Estado contemporâneo

A história do Espírito Santo é extensa e remonta ao período da colonização portuguesa, no século XVI. No entanto, para compreender a configuração política, administrativa e institucional do Estado atual, é necessário observar um recorte mais recente. Assim, embora a história capixaba seja muito mais longa, o enfoque está nos últimos 60 anos, período marcado por mudanças políticas, administrativas e institucionais que ajudaram a moldar o Espírito Santo contemporâneo.

Desde o fim da década de 1960, o Estado atravessou diferentes ciclos políticos, acompanhando o cenário nacional do regime militar à redemocratização e enfrentando desafios ligados ao desenvolvimento econômico, à modernização da gestão pública e à consolidação democrática.

Entre 1967 e 1983, o Espírito Santo foi governado por gestores escolhidos de forma indireta, em consonância com o regime militar vigente no país. Nesse período, passaram pelo Palácio Anchieta Cristiano Dias Lopes Filho, Artur Carlos Gerhardt Santos, Élcio Álvares e Eurico Vieira Resende. As gestões foram marcadas pela centralização do poder, investimentos em infraestrutura e fortalecimento do aparato estatal, em um contexto de restrições à participação democrática.

Apesar das limitações políticas, esse período contribuiu para a estruturação administrativa do Estado e para a implementação de projetos que impactaram o crescimento urbano e econômico.

A transição democrática começou a se consolidar no início dos anos 1980. Em 1983, Gerson Camata assumiu o governo pelo PMDB, simbolizando a retomada do voto direto e a revalorização das instituições democráticas no Espírito Santo. Em 1986, Camata deixou o cargo para disputar o Senado, e o então vice-governador José Moraes assumiu o comando do Executivo estadual, garantindo a continuidade administrativa até o fim do mandato.

Esse período foi marcado pela reorganização política do Estado e pelo fortalecimento da participação popular no processo democrático.

Com a posse de Max Freitas Mauro (1987–1991), o Espírito Santo enfrentou um cenário nacional de instabilidade econômica, inflação elevada e restrições orçamentárias. A gestão exigiu medidas de reorganização administrativa e fiscal.

Na década de 1990, Albuíno Azeredo (1991–1995) governou em meio às transformações econômicas do país e à consolidação do novo modelo constitucional. Em seguida, Vitor Buaiz (1995–1999) imprimiu uma gestão com maior ênfase em políticas sociais, especialmente nas áreas de saúde e educação, ampliando o debate sobre o papel do Estado na promoção do bem-estar social.

Com a eleição de José Ignácio Ferreira (1999–2002), o Espírito Santo iniciou um novo período de transição administrativa. A partir de 2003, sob a liderança de Paulo Hartung, o Estado passou por uma profunda reorganização fiscal e administrativa. As gestões de Hartung ficaram marcadas pelo equilíbrio das contas públicas, controle de gastos e recuperação da credibilidade institucional do Espírito Santo, criando bases para um novo modelo de gestão.

Em 2011, Renato Casagrande assumiu o governo estadual, priorizando políticas sociais, investimentos em infraestrutura e o fortalecimento do diálogo com os municípios. Em 2015, Paulo Hartung retornou ao Palácio Anchieta, dando continuidade à agenda de responsabilidade fiscal e modernização administrativa.

Desde 2019, Renato Casagrande voltou ao comando do Executivo estadual e permanece à frente do governo. Seu mandato tem sido marcado por desafios complexos, como o enfrentamento da pandemia da Covid-19, a retomada econômica e a ampliação de investimentos em áreas estratégicas como saúde, educação, mobilidade urbana, inovação e sustentabilidade.

Ao longo das últimas seis décadas, o Espírito Santo passou por profundas transformações políticas e institucionais. A alternância de governadores, partidos e projetos administrativos reflete não apenas disputas eleitorais, mas também a evolução democrática do Estado e a busca por modelos de desenvolvimento mais equilibrados e sustentáveis.

 Governadores e Vices do Espírito Santo (1967–2026)

PeríodoGovernadorPartidoVice-Governador
31/01/1967 – 15/03/1971Cristiano Dias Lopes FilhoARENA (indireto)Isaac Lopes Rubim
15/03/1971 – 15/03/1975Artur Carlos Gerhardt SantosARENA (indireto)Henrique Pretti
15/03/1975 – 15/03/1979Élcio ÁlvaresARENA (indireto)Carlos Alberto Lindenberg von Schilgen
15/03/1979 – 15/03/1983Eurico Vieira ResendePDS (indireto)José Carlos da Fonseca
15/03/1983 – 14/05/1986Gerson CamataPMDBJosé Moraes (assumiu governador em 14/05/1986)
14/05/1986 – 15/03/1987José Moraes (assume)PMDB
15/03/1987 – 15/03/1991Max Freitas MauroPMDBCarlos Alberto Batista da Cunha
15/03/1991 – 01/01/1995Albuíno Cunha de AzeredoPDTAdelson Antônio Salvador
01/01/1995 – 01/01/1999Vitor BuaizPTJosé Renato Casagrande
01/01/1999 – 01/01/2003José Ignácio FerreiraPSDBCelso José Vasconcelos
01/01/2003 – 01/01/2007Paulo HartungPSB (2003–2006)Wellington Coimbra
01/01/2007 – 01/01/2011Paulo HartungPMDB (2007–2010)Ricardo Ferraço
01/01/2011 – 01/01/2015Renato CasagrandePSBGivaldo Vieira da Silva
01/01/2015 – 01/01/2019Paulo HartungPMDBCésar Roberto Colnago
01/01/2019 – 01/01/2023Renato CasagrandePSBJacqueline Moraes da Silva
01/01/2023 – 2026Renato CasagrandePSBRicardo Ferraço

Luciene Costa -Jornalista Revista Ekletica

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