Prevenir a ressaca é possível: especialista orienta sobre cuidados antes, durante e após o consumo de álcool
Hidratação, alimentação adequada e moderação estão entre as principais estratégias para reduzir os efeitos do excesso de bebida alcoólica
Dor de cabeça, enjoo, cansaço, sede intensa e dificuldade de concentração estão entre os sintomas mais comuns da ressaca, condição que pode surgir horas após o consumo excessivo de bebida alcoólica. Embora não exista uma fórmula capaz de impedir totalmente o mal-estar, atitudes simples podem ajudar a minimizar os impactos no organismo e favorecer uma recuperação mais equilibrada.
Segundo o clínico médico Vitor Brasileiro, da Unimed Sul Capixaba, a ressaca é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles estão a desidratação provocada pelo efeito diurético do álcool, a queda dos níveis de glicose no sangue, a irritação da mucosa do estômago e o acúmulo de substâncias tóxicas produzidas durante o metabolismo hepático. “O álcool interfere em diversos sistemas do corpo e, quanto maior a quantidade ingerida, mais intensos tendem a ser os sintomas no dia seguinte”, explica.
Antes de beber, alimentar-se adequadamente é uma das principais recomendações. Refeições que combinem carboidratos, proteínas e pequenas quantidades de gordura ajudam a desacelerar a absorção do álcool pelo organismo. Durante o consumo, intercalar cada dose com água é uma estratégia simples e eficaz para manter a hidratação. Evitar a mistura de diferentes tipos de bebida alcoólica e respeitar os próprios limites também contribuem para reduzir o risco de mal-estar posterior.
Após o consumo, o foco deve ser a reposição de líquidos e o descanso. Água, água de coco e soluções de reidratação oral auxiliam na recuperação do organismo. Alimentos leves e de fácil digestão são indicados, especialmente em casos de náusea ou desconforto gástrico.
O especialista alerta ainda para práticas populares que não têm respaldo científico, como ingerir mais álcool no dia seguinte para aliviar os sintomas. “Essa conduta pode até reduzir temporariamente a percepção do mal-estar, mas não resolve o problema e pode sobrecarregar ainda mais o organismo”, afirma.
Também merecem atenção os chamados “remédios milagrosos” e o uso indiscriminado de medicamentos antes ou depois de beber. A associação de álcool com analgésicos ou anti-inflamatórios pode aumentar o risco de irritação gástrica e causar prejuízos ao fígado.
Em situações em que os sintomas são intensos, como vômitos persistentes, confusão mental, desmaios ou dificuldade para respirar, é fundamental buscar atendimento médico, pois o quadro pode ir além de uma simples ressaca. Para o médico, a forma mais segura de prevenção continua sendo o consumo consciente, aliado à hidratação, alimentação adequada e atenção aos limites individuais.