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ARTIGO – Por que é tão difícil perder peso mesmo com dieta e atividade física?

É cada vez mais comum ouvir relatos de pessoas que se alimentam corretamente, praticam atividade física com regularidade e, ainda assim, não conseguem perder peso. Essa realidade costuma gerar frustração, culpa e sensação de fracasso. Mas é fundamental dizer com clareza: a obesidade é uma condição complexa, e o seu tratamento também precisa ser.

O excesso de peso não surge por um único motivo. Ele é resultado da interação entre fatores ambientais, genéticos, comportamentais, emocionais e metabólicos. Estresse constante, sono de má qualidade, rotina acelerada, histórico familiar, sedentarismo, alimentação ultraprocessada e padrões emocionais construídos ao longo da vida se somam silenciosamente. Por isso, reduzir a obesidade apenas à força de vontade é injusto e pouco eficaz.

O tratamento da obesidade, na maioria dos casos, deve ser multiprofissional. O acompanhamento nutricional ajuda a reorganizar a relação com a comida e a construir uma alimentação possível de ser mantida no dia a dia. O educador físico orienta exercícios adequados à realidade, respeitando limites e prevenindo lesões. Em algumas situações, o tratamento medicamentoso pode ser necessário como apoio, sempre com indicação e acompanhamento médico.

Embora alimentação e estilo de vida sejam pilares fundamentais, eles não explicam tudo sozinhos. Fatores genéticos, alterações hormonais, inflamação crônica, saúde emocional e aspectos psíquicos influenciam diretamente o metabolismo e o comportamento alimentar. Essa soma de fatores ajuda a entender por que a obesidade cresce de forma tão expressiva em todo o mundo.

Para quem sente que “já tentou de tudo”, o primeiro passo não precisa ser uma mudança brusca. O ideal é procurar avaliação médica para compreender o próprio corpo e sua condição atual. Medidas simples já oferecem sinais importantes, como a relação entre cintura e altura: de modo geral, a circunferência da cintura não deve ultrapassar metade da altura. Valores acima disso indicam maior risco para doenças associadas à obesidade.

Exames laboratoriais básicos também são essenciais. Avaliar glicose, colesterol, função do fígado e dos rins, além da presença de gordura no fígado, ajuda a identificar se o excesso de peso já está trazendo impactos para a saúde e orienta decisões mais seguras sobre o tratamento.

A obesidade é um fator de risco relevante para diabetes, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Por isso, medir pressão arterial, acompanhar exames e observar sinais clínicos é indispensável. Quando essas alterações já estão presentes, o cuidado precisa ser mais intensivo, contínuo e individualizado, sempre com foco na prevenção de complicações futuras.

O avanço da obesidade também preocupa entre crianças e adolescentes. O excesso de telas, o sedentarismo, o consumo de alimentos ultraprocessados e a falta de sono adequado criam um cenário desfavorável desde cedo. Incentivar hábitos saudáveis na infância é uma estratégia de prevenção poderosa.

Mais do que impor restrições, é preciso educar: estimular brincadeiras, movimento, alimentação natural, rotina de sono e redução do estresse. Crianças que aprendem a cuidar do corpo e das emoções têm mais chances de se tornarem adultos saudáveis.

Falar sobre obesidade é falar de saúde, qualidade de vida e bem-estar. Não se trata apenas de estética, mas de um cuidado que envolve corpo e mente. O caminho mais eficaz é aquele construído com informação, acolhimento, acompanhamento profissional e mudanças possíveis, sustentáveis e progressivas.

Cuidar do peso é, sobretudo, cuidar da vida em todas as suas dimensões.

Luciene Costa é psicóloga clínica, pós-graduada em Psicanálise, jornalista e especialista em bem-estar e qualidade de vida.

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